Alterar regras nas instalações eléctricas e de gás para garantir segurança de pessoas e bens

LEGISLAÇÃO O PCP propôs alterações às regras de segurança aplicáveis aos projectos das instalações eléctricas e de gás, bem como às circunstâncias em que essas instalações devem ser inspeccionadas.

Mais vale prevenir do que remediar

Essas propostas foram formalizadas no passado dia 26 de Janeiro, no quadro da apreciação parlamentar realizada nessa mesma data por sua iniciativa aos decretos-lei que estabelecem os regimes das instalações de gases combustíveis em edifício (D.L. n.º 97/2017) e das instalações eléctricas particulares (D.L. n.º 96/2017).

Com a iniciativa a bancada comunista visa corrigir normas já aprovadas pelo actual Governo, melhorando assim diplomas apresentados por este no âmbito do chamado «Programa Simplex».

Não questionando a necessidade de combater a burocracia e promover a simplificação administrativa, nem a importância de reduzir custos para os cidadãos e para as micro e pequenas empresas, o deputado comunista Bruno Dias afirmou contudo que passa a haver um problema quando se põe em causa não a burocracia mas a «segurança de pessoas e bens».

A questão está, pois, no facto de o Governo ter substituído a aprovação do projecto por um termo de responsabilidade do projectista, quando, como foi dito, o que então se verificava é que «um em cada dez projectos» de instalação de gás submetidos a apreciação das entidades competentes era «apontado como carecendo de conformidade», enquanto nas instalações eléctricas eram «seis em cada dez» os projectos a «necessitar de correcção, muitas vezes de segunda e terceira correcções».

«Não queremos colocar tudo como era dantes. Mas há opções que precisamos de discutir e repensar nesta matéria», afirmou Bruno Dias, defendendo que a mesma atitude se coloca relativamente à inspecção das instalações.

«Uma coisa é alterar um contrato de abastecimento de gás, do nome do pai para o nome do filho. Aí ninguém vai defender que é preciso fazer uma inspecção. Coisa diferente são todas as situações de habitações já antigas, em que aparelhos a gás, as ligações, as condições de exaustão, etc., se revelam inadequadas e assim permanecem enquanto os arrendatários vão passando», referiu o parlamentar comunista, clarificando o pensamento da sua bancada.

O busílis está, pois, na taxa de não aprovação registada nessas inspecções, que era superior a dez por cento. «Pode-se pensar que é pouco, mas nós pensamos que é demais», sublinhou Bruno Dias, lembrando que por via dessas inspecções era possível detectar atempadamente problemas.

E tendo presente que «não há pessoas imunes ao erro nem materiais imunes ao desgaste», salientou, o «momento certo para corrigir um problema é quando o risco é menor, ou seja, em fase de verificação da conformidade».

Em nome do PS, Hugo Costa mostrou disponibilidade para «melhorias e para o debate na especialidade», desde que «em defesa da segurança das pessoas e bens, num processo mais célere e com redução de custos para os consumidores».

O secretário de Estado da Energia, Jorge Seguro Sanches, embora defendendo o novo regime de licenciamento das instalações eléctricas residenciais e empresariais, por ter vindo «reduzir custos» e simplificar «actos administrativos», não deixou de valorizar o debate, qualificando-o de «construtivo», e mostrou «total disponibilidade para trabalhar nesta questão tendo em conta o tema da segurança».




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