CDS e UGT, a mesma luta

Ângelo Alves

O CDS não se conforma com o facto de os trabalhadores terem direitos que conquistaram com a sua luta. Não aceita que os trabalhadores se organizem em estruturas e organizações representativas dos seus interesses de classe. O CDS defende a lei da selva nas relações laborais, o seu modelo está nas políticas de Trump ou do golpista Temer, isto para não ir décadas atrás na História de Portugal. A natureza de classe do CDS é contrária à democracia laboral e social, sonha com um regime político onde os trabalhadores sejam impedidos de lutar pelos seus direitos e condições de vida, onde aceitem, de forma submissa, o que lhes é «dado» pelos patrões, e vivam calados na resignação e no medo. É esta a sua «paz social». É por isso que têm dedicado tanto tempo a tentar dividir e a alimentar chantagens contra os trabalhadores da Autoeuropa, destilando pelo caminho ódios ao movimento sindical de classe, e também ao PCP.

Mas o CDS não está só. Tem do seu lado as confederações patronais; os centros ideológicos do grande capital; a comunicação social dominante; um governo que se propõe pagar o ataque à vida familiar e… espante-se, ou nem por isso, a UGT. Mas verdade seja dita, o embate de classe solta-lhes a língua. Ficámos a saber que os dirigentes do CDS gostam de usar nas suas atoardas os mesmos mimos com que Salazar brindou o PCP e o movimento sindical. Ficámos também a saber que para Carlos Silva da UGT os sindicalistas e outros representantes dos trabalhadores são «agitadores profissionais»; que a «estabilidade interna» de uma empresa é a estabilidade dos seus administradores; que o exemplo a seguir é o do ex-coordenador da CT da Autoeuropa, actual consultor de uma empresa de trabalho temporário grupo Wolkswagen; e que isso de revoluções que conquistam direitos laborais históricos é um perigo. De facto, a UGT fica bem nas Jornadas Parlamentares do CDS, o partido dos patrões. É caso para dizer: CDS e UGT, a mesma luta!




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