O manto do populismo
Harry Poter, herói de J. K. Rowling, cujo marketing vale 20 mil milhões de dólares, oito argumentos e 500 milhões de livros, usa um «manto de invisibilidade» para cobrir as acções mais ardilosas.
No nosso País, de forma perversa, o populismo e o anticomunismo dispõem igualmente de uma espécie de manto com que se cobrem e que lhes permite uma quase impunidade e invisibilidade, para manietar e envenenar a luta política e ideológica.
É o que acontece com os media dominantes, a partir das agências detidas pelo grande capital, de informação manipulada, orientações às redacções, enlatados e títulos, repetidos à exaustão, concebidos como «indiscutíveis» para a aceitação acritica de qualquer cidadão, mesmo do mais convicto de que está a pensar pela sua cabeça, mas que só acede a «informação» condicionada.
O que se passou com as alterações à lei do financiamento dos partidos foi a evidência de uma campanha populista – mentiras e calúnias sem escrúplos, numa operação esmagadora dos media dominantes, porque na «classe política» são «todos iguais», sobretudo o PCP que é a «força motora» deste «saque ao País».
O manto populista deu cobertura à propaganda de teses antidemocráticas, anticomunistas e de recorte proto-fascista – reduzir a participação popular, diminuir o número de deputados e a sua proporcionalidade na AR, subordinar mais os políticos ao poder económico e, claro, tentar isolar e discriminar ainda mais o PCP.
É urgente informar – Salazar e o fascismo também eram contra os partidos «todos iguais» e diziam que não eram políticos, aliás como Cavaco. Visavam garantir todo o poder às clases dominantes e aumentar a exploração e a concentração de riqueza.
Não é democraticamente aceitável a conivência com campanhas populistas, seja da parte de uns tantos «vira casacas», para continuarem a usufruir do apoio da comunicação social dominante contra o PCP, seja daqueles a quem compete garantir o regular funcionamento das instituições democráticas.