Ricas famílias

Vasco Cardoso

Pelo insuspeito Jornal de Negócios ficámos a conhecer qual a evolução do património cotado na Bolsa de Lisboa de alguns dos principais grupos económicos portugueses, ou como lhe chamou na edição de 3 de Janeiro, os «ricos da bolsa».

Segundo o Jneg, «contabilizando as oito famílias com maiores investimentos em Lisboa, a mais-valia potencial acumulada em 2017 supera os três mil milhões de euros». O destaque vai para as famílias Queiroz Pereira detentora da SEMAPA e Navigator (+755,87 milhões de euros), Soares dos Santos detentora do Grupo Jerónimo Martins (+727,7 milhões de euros), Amorim que controla a GALP e a Corticeira Amorim (+410 milhões de euros) e Azevedo, detentora do Grupo SONAE (+407,4 milhões de euros). «O único grande investidor que perdeu em 2017 foi Manuel Champalimaud», diz, depois dos CTT terem perdido mais de 45% da sua cotação, o que não se pode desligar do processo de descapitalização e destruição dos Correios em curso.

O JNeg não revelou os ganhos do capital estrangeiro que controla as restantes empresas estratégicas – da banca à energia, das telecomunicações aos transportes – mas não andaremos longe da verdade se dissermos que, também aí, houve fortes incrementos, com a agravante dessa riqueza não ficar no País.

Não confundimos valorização bolsista com lucros ou dividendos, mas os dados falam por si quanto ao processo de concentração de riqueza e ao inevitável reflexo no agravamento das desigualdades.

Contrariamente às necessidades e possibilidades existentes, o aumento do salário mínimo nacional, apesar de progressos indissociáveis da intervenção do PCP e da luta dos trabalhadores, ficou aquém dos 600 euros a partir de 1 de Janeiro. Pelo que é ainda mais inaceitável que o PS, em sintonia com o grande capital e com a cumplicidade do BE, tenha impedido a fixação desse objectivo.

É também por tudo isto que a luta pelo aumento dos salários, incluindo pelo aumento do SMN, em 2018, não só continua como deve ser intensificada.

 



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