Por que é que ninguém deve faltar à Festa do Avante!?

Margarida Botelho (Membro da Comissão Política)

Há festivais de verão para todos os gostos: urbanos ou de aldeia, na praia ou no campo, para teenagers ou seniores, patrocinados por todo o tipo de empresas, cada qual com uma promoção mais esmagadora do que o anterior. No meio de toda esta diversidade, quase invisível para os principais meios de comunicação social, seria legítimo perguntar porque é que a Festa do Avante! está no calendário de tantos milhares de portugueses.

A Festa é a mesma e é sempre nova

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A resposta não é simples. Quem queira ver o mundo com os olhos do preconceito dirá que é a festa dos comunistas, que como são muito disciplinados, não faltam à sua comemoração anual. Nada mais errado. Quem vai a primeira vez à Festa fica invariavelmente surpreendido pela dimensão do terreno, pela diversidade dos espectáculos, pela quantidade de coisas que acontecem ao mesmo tempo, pelo ambiente de alegria e fraternidade irrepetível.

A Festa é isso, e é mais. A sua morte já foi sucessivamente anunciada. Desde os anos sem terreno próprio, às alterações políticas no País e no mundo, passando pelas enormes mudanças na produção e na fruição cultural das massas nos últimos 40 anos, a Festa renovou-se sempre. É a mesma Festa e simultaneamente uma Festa sempre nova, sempre mais bonita, sempre popular.

A resposta à pergunta inicial começa pelo nome. A Festa é uma festa, não é um festival. Não é um sítio onde se vai «ver» um espectáculo ou onde se «mostram» artes plásticas ou performativas. Quem vai à Festa faz parte dela, participa, constrói-a. Para muitos, «construir» a Festa é mesmo isso, com tubo, madeira, pedra, fios, panos, tintas, arame, lápis, computador. Ou, já durante os três dias, para assegurar que tudo funciona. Mas os visitantes também fazem parte da Festa, com o seu convívio, a sua alegria, a sua participação.

A Festa é profundamente popular e sempre nova porque é a Festa do Portugal de Abril, como justamente a definiu Álvaro Cunhal. A Festa dos valores de Abril, da liberdade e da emancipação social. A Festa da classe operária e dos trabalhadores, que se orgulham do seu trabalho, da sua luta, dos laços de solidariedade e amizade que os unem. Uma Festa simultaneamente portuguesa e aberta ao mundo e a todos os povos, da cultura à gastronomia – e não um franchising qualquer de tournées de marcas mundiais, iguais aqui ou na Conchichina.

A Festa é um mundo

Na Festa há música, teatro, dança, artes plásticas, lançamentos de livros, num programa cultural notável, diversificado, a um preço imbatível. Há largas dezenas de debates, sobre os mais diversos temas. Há gastronomia de todo o País, confecionada com produtos locais por pessoas de cada sítio. Há desporto, em dezenas de modalidades e torneios, com destaque para a corrida da Festa, com milhares de atletas. Tudo em condições de conforto, higiene e segurança irrepetíveis numa festa desta dimensão ao ar livre, o que também explica porque é que tantas famílias se sentem à vontade para levar as crianças mais pequenas ou pessoas com mobilidade mais reduzida, e que todos se sintam lá bem.

Na Festa é possível conhecer sem filtros nem intermediários o que propõe, o que defende, o que pratica o PCP: quem queira conhecer as nossas posições e propostas, tem na Festa o local ideal, nas exposições, nos debates ou nos livros, mas sobretudo na conversa franca e fraterna.

Convidar amigos, colegas, familiares para ir à Festa do Avante! é uma tarefa de todos nos dias que faltam até 1 de Setembro. Os que nunca foram, os que já não vão há muito tempo, os que têm curiosidade em geral ou sobre algum espectáculo concreto, os que lutam nas suas empresas ou nas suas terras por direitos e um futuro melhor, todos merecem o convite para ir à Festa. Que ninguém falte, porque não há verdadeiramente Festa como esta.




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