Tomar partido

Manuel Gouveia

O Governo decretou serviços «mínimos» máximos para as greves na Petrogal e nos Assistentes de Portos e Aeroportos, para tentar desarmar os trabalhadores e proteger os lucros dos patrões.

No caso da Petrogal, os trabalhadores lutam contra a retirada de direitos e em defesa da contratação colectiva. Os patrões, o Grupo Amorim e os capitalistas estrangeiros que já abocanham mais de metade dos lucros, lutam por aumentar esses lucros, que este ano foram de 413,8 milhões de euros mesmo depois de pagos os 5,5 milhões de euros de «salário» a sete administradores executivos. E o Governo toma partido pela exploração. Toma partido ao decretar serviços mínimos que visam retirar força à luta dos trabalhadores e tornar mais fácil ao patrão resistir à greve. Os trabalhadores sempre garantiram, em todas as greves, as questões de segurança e o abastecimento de serviços essenciais para o povo. Estivesse o Governo preocupado com os efeitos da greve e teria agido no sentido de a evitar, ou seja, pressionado a administração para ceder às justas reivindicações dos trabalhadores.

No caso dos APA, os trabalhadores lutam contra os baixos salários e em defesa da contratação colectiva. Os seus patrões são duas multinacionais, Prossegur e Securitas, que lutam por levar do nosso País o máximo de dividendos para os seus accionistas, defendendo a hipócrita tese de que os trabalhadores devem ganhar um salário miserável e ter um trabalho completamente desregulado, mas que esse trabalho é tão importante para o País que nem podem fazer greve. E o Governo toma partido pela exploração, e emite um despacho de serviços mínimos completamente ilegal. Estivesse o Governo preocupado com o funcionamento dos Aeroportos, e já teria tomado medidas para travar a exploração, a precariedade e a desregulamentação que neles grassam.

O PCP também toma partido. Pelos trabalhadores e pela sua justa luta. E aponta os limites de um Governo que é incapaz de romper com a política de direita.




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