Grécia esmaga despesa pública para agradar à troika

As contas públicas da Grécia registaram no ano passado um excedente primário de 3,9 por cento do PIB, quase oito vezes mais do que exigia o programa de resgate.

Governo grego arranca excedente orçamental à custa de mais sacrifícios

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Se em 2015, o governo grego apresentou um défice primário de 2,3 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), ou seja, 4105 milhões de euros, no ano passado, em vez de défice, Atenas apresentou um superávite orçamental primário de 6937 milhões de euros, correspondente a 3,9 por cento do PIB, quase oito vezes acima do objectivo de 0,5 por cento, estipulado no programa de regaste.

O superávite primário (que exclui a despesa com o pagamento do serviço da dívida) é um dos principais objectivos fixados pela troika, no entanto, neste caso, não traduz qualquer evolução positiva da situação económica, que continua estagnada, mas apenas um esforço acrescido de compressão da despesa pública, maioritariamente de natureza social, e o aumento da carga fiscal.

De acordo com os dados do gabinete de estatísticas helénico, Elstat, divulgados dia 21, a despesa das administrações públicas baixou de 95 200 milhões de euros em 2015, para 86 185 milhões de euros no ano transacto. Ao mesmo tempo, as receitas passaram de 84 800 milhões para 87 473 milhões.

E pela primeira vez desde a intervenção da troika no país, em 2010, o Estado grego apresentou um excedente orçamental absoluto, ou seja contando com o serviço da dívida.

Assim, depois do saldo negativo de 5,9 por cento, em 2015, as contas do Estado de 2016 fecharam com uma margem positiva de 0,7 por cento do PIB.

Entretanto, devido à estagnação da economia, o rácio da dívida pública subiu de 177,4 por cento para 179 por cento do PIB.

Também o desemprego continua a atingir cerca de um quarto da população activa e quase metade dos jovens.

Por isso, o governo grego não exultou propriamente com o resultado. Num artigo publicado, dia 21, no Wall Street Journal, o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, reconheceu implicitamente essa vitória pírrica: «Cumprimos nossas obrigações, apesar do enorme custo social e económico. É o momento de acabar com o enfoque punitivo do passado».

 



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