Governo romeno cede aos protestos

Vitória da rua

O governo romeno revogou formalmente, dia 5, o polémico decreto, aprovado na semana passada à margem do parlamento, que despenalizava certos delitos de corrupção.

 

Diploma sobre corrupção será debatido no Parlamento

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Após semanas de persistentes manifestações, que se intensificaram com a aprovação, na noite de dia 31 de Janeiro, do controverso decreto, o governo romeno foi forçado a dar o dito por não dito e fazer marcha atrás.

Com centenas de milhares de pessoas diariamente nas ruas, protestos considerados como os maiores das últimas décadas, o governo social-democrata anunciou, no sábado, 4, a decisão de revogar o decreto que reduzia as penas por abuso de poder e despenalizava delitos de corrupção que envolvessem montantes inferiores a 200 mil lei (44 mil euros).

O primeiro-ministro, Sorin Grindeanu, pronunciou um discurso na televisão prometendo que o diploma seria derrogado no dia seguinte. «Não quero dividir a Roménia», declarou o governante, sabendo que naquele momento centenas de milhares de pessoas se manifestavam em Bucareste e noutras cidades do país.

Os protestos, todavia, não tiveram expressão nos meios rurais, onde os sociais-democratas têm a sua maior base de apoio.

Agora, o governo promete apresentar um novo projecto no parlamento, onde dispõe de maioria, no qual não figurará o limite monetário a partir do qual um suborno passa a ser crime.

Apesar de as manifestações serem apoiadas e incentivadas pelas forças mais à direita da Roménia, como é o caso do presidente Klaus Iohannis, independente apoiado pelo Partido Nacional Liberal, a actuação do governo levantou graves suspeitas na população.

Muitos viram a lei como uma forma de garantir impunidade a eleitos políticos e empresários ou mesmo de eximir de responsabilidades o actual presidente dos sociais-democratas, Liviu Dragnea, arrolado num processo de abuso de poder e corrupção.

No domingo, os manifestantes celebraram o recuo do governo com massivas manifestações em todo o país, nomeadamente frente ao parlamento em Bucareste.

 



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