O erro
O Natal já foi e o ano de 2017 está aí ao virar da esquina. Os festejos vão estralejando pelo chamado «primeiro mundo», a coreografia da paz e da boa vontade monta-se nas praças e bazares icónicos, o planeta parece inspirar fundo e devagar.
O capitalismo faz por se auto-absolver em sossegada impunidade.
Outro olhar – o que não é mostrado nas televisões – vê a maioria da Humanidade a viver mais miseravelmente do que há uns anos – aliás, todos os anos se agrava, em simultâneo, o número de pobres, de pobreza e, em particular, do fosso entre ricos e pobres.
Acresce à pobreza e à miséria uma conflitualidade generalizada, que vai da a guerra aberta até ao terrorismo indiscriminado e que precipitou a maior vaga mundial de refugiados desde a II Grande Guerra.
Esta conflitualidade não surge do acaso e tem origem concreta no carácter do capitalismo, sempre à caça de vantagens e de dominância, pois continua a ser o que era, quando Marx o analisou no século XIX: um sistema político eminentemente predatório, que faz dos mercados o alfa e o ómega da sua existência e da produção (seja do que for) um mero veículo de acumulação de riqueza, onde os interesses das populações e dos povos são medidos pelos interesses dos capitalistas.
Aliás, a produção continua a existir não para satisfazer as necessidades mas para aumentar os lucros de quem detém os meios de produção, seguindo-se a «guerra dos mercados» que, regularmente, vai além dos mercados e transforma-se em guerras a sério.
A União Soviética e o mundo socialista caíram há um quarto de século e o resultado está à vista – o capitalismo considerou que tinha de novo o mundo à sua disposição e desencadeou conflitos em cadeia, que foram das guerras ao Iraque e ao Afeganistão e se prolongaram em «primaveras árabes» pagas e municiadas pelo imperialismo, que abalaram do Egipto à Turquia, passando pelo assassinato de Kadafi, a destruição da Líbia e a guerra na Síria.
Tudo para potências de segunda como a França ou o Reino Unido tentarem garantir quota no manancial petrolífero da Líbia ou da Síria ou a (ainda) grande potência mundial, os EUA, marcarem de novo a predominância.
Mas o erro mais grave do capitalismo, neste quarto de século a girar em roda livre, está na miséria e na injustiça que está a agravar-se por todo lado e em qualquer parte. O estilo da repartição leonina nos negócios e nos interesses, da imposição do mais forte e da retirada generalizada de direitos sociais e humanos estão a semear desilusões e descontentamentos desmedidos.
Diz-se em Biologia que a vida rompe sempre. Na Humanidade passa-se o mesmo, com a vantagem de acontecer no quadro do materialismo histórico de Marx, que Lenine e a Grande Revolução de Outubro comprovaram, em experiência feita.