O Médio Oriente e a ONU
A libertação de Alepo foi, como previsto, uma pesada derrota para a coligação da guerra liderada pelos EUA. Uma derrota militar e política com real impacto nas relações internacionais mas que está longe de significar a derrota da estratégia imperialista. A vitória do governo sírio está a trazer à tona da água a verdade sobre o que ali se passou e sobre quem eram – e são – os terroristas e os carrascos dos direitos humanos. A descoberta de valas comuns com cidadãos executados e desmembrados pelos chamados «rebeldes» faz luz sobre quem de facto cometeu crimes horrendos, sobre quem aprisionou dezenas de milhares de cidadãos num território de terror e sobre quem após a derrota militar não hesitou em atacar comboios humanitários. As operações de apoio humanitário montadas no terreno nos últimos dias pelo legítimo governo sírio mostram-nos não só o terror em que viveram aquelas populações mas também a criminosa falsidade em torno das ditas «ONG humanitárias» (como os auto denominados «capacetes brancos») que após a libertação de Alepo desapareceram do terreno onde de facto estiveram, mas não para prestar assistência humanitária.
Se a isto somarmos as informações sobre operacionais ligados à NATO e as petromonarquias identificados nos bunkers dos terroristas ou notícias sobre o uso de armas químicas pelos «rebeldes», temos um quadro que no mínimo exigiria da ONU uma condenação, não do governo sírio, mas dos ditos «rebeldes» e seus mentores e apoiantes. Mas como se disse a estratégia imperialista está longe de estar derrotada. Nos media dominantes continuamos a assistir a uma despudorada cortina de mentiras, e na ONU – depois da histeria inicial no Conselho de Segurança ditada pela preocupação de salvar a face das principais potências imperialistas perante o risco dos seus operacionais serem capturados – reina um silêncio de chumbo sobre os crimes que se vai desvendando. A mesma ONU que está agora posta à prova perante a deliberada, ilegal e insolente postura de Israel que, face a uma muito tardia condenação da construção de colonatos, acaba de aprovar a construção de várias dezenas de novos colonatos e de afirmar a soberania israelita sobre toda a cidade de Jerusalém. Está definitivamente em jogo a credibilidade desta Organização.