O Médio Oriente e a ONU

Ângelo Alves

A li­ber­tação de Alepo foi, como pre­visto, uma pe­sada der­rota para a co­li­gação da guerra li­de­rada pelos EUA. Uma der­rota mi­litar e po­lí­tica com real im­pacto nas re­la­ções in­ter­na­ci­o­nais mas que está longe de sig­ni­ficar a der­rota da es­tra­tégia im­pe­ri­a­lista. A vi­tória do go­verno sírio está a trazer à tona da água a ver­dade sobre o que ali se passou e sobre quem eram – e são – os ter­ro­ristas e os car­rascos dos di­reitos hu­manos. A des­co­berta de valas co­muns com ci­da­dãos exe­cu­tados e des­mem­brados pelos cha­mados «re­beldes» faz luz sobre quem de facto co­meteu crimes hor­rendos, sobre quem apri­si­onou de­zenas de mi­lhares de ci­da­dãos num ter­ri­tório de terror e sobre quem após a der­rota mi­litar não he­sitou em atacar com­boios hu­ma­ni­tá­rios. As ope­ra­ções de apoio hu­ma­ni­tário mon­tadas no ter­reno nos úl­timos dias pelo le­gí­timo go­verno sírio mos­tram-nos não só o terror em que vi­veram aquelas po­pu­la­ções mas também a cri­mi­nosa fal­si­dade em torno das ditas «ONG hu­ma­ni­tá­rias» (como os auto de­no­mi­nados «ca­pa­cetes brancos») que após a li­ber­tação de Alepo de­sa­pa­re­ceram do ter­reno onde de facto es­ti­veram, mas não para prestar as­sis­tência hu­ma­ni­tária.

Se a isto so­marmos as in­for­ma­ções sobre ope­ra­ci­o­nais li­gados à NATO e as pe­tro­mo­nar­quias iden­ti­fi­cados nos bun­kers dos ter­ro­ristas ou no­tí­cias sobre o uso de armas quí­micas pelos «re­beldes», temos um quadro que no mí­nimo exi­giria da ONU uma con­de­nação, não do go­verno sírio, mas dos ditos «re­beldes» e seus men­tores e apoi­antes. Mas como se disse a es­tra­tégia im­pe­ri­a­lista está longe de estar der­ro­tada. Nos media do­mi­nantes con­ti­nu­amos a as­sistir a uma des­pu­do­rada cor­tina de men­tiras, e na ONU – de­pois da his­teria ini­cial no Con­selho de Se­gu­rança di­tada pela pre­o­cu­pação de salvar a face das prin­ci­pais po­tên­cias im­pe­ri­a­listas pe­rante o risco dos seus ope­ra­ci­o­nais serem cap­tu­rados – reina um si­lêncio de chumbo sobre os crimes que se vai des­ven­dando. A mesma ONU que está agora posta à prova pe­rante a de­li­be­rada, ilegal e in­so­lente pos­tura de Is­rael que, face a uma muito tardia con­de­nação da cons­trução de co­lo­natos, acaba de aprovar a cons­trução de vá­rias de­zenas de novos co­lo­natos e de afirmar a so­be­rania is­ra­e­lita sobre toda a ci­dade de Je­ru­salém. Está de­fi­ni­ti­va­mente em jogo a cre­di­bi­li­dade desta Or­ga­ni­zação.




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