Partido Comunista de Cuba

Juan Valdés FigueiroaMembro do CC do Partido Comunista de Cuba

Não podíamos começar esta mensagem que vos dirigimos sem referir a profunda consternação que sofremos, o povo cubano, os povos latino-americanos e os povos do mundo. «Cuba está de luto. Cuba está de luta!».

A 25 de Novembro de 2016, aos 90 anos, desapareceu fisicamente um insigne comunista cubano, líder histórico da Revolução Cubana, Fidel Alejandro Castro Ruz, o nosso Comandante em Chefe, que foi Primeiro Secretário do Comité Central do Partido Comunista de Cuba e que foi amado pelos povos e odiado pelas elites imperialistas. Fidel desapareceu fisicamente. Espiritualmente continua entre nós. «Eu sou Fidel!», exclamaram uma e outra vez um milhão de cubanas e cubanos na Praça da Revolução no passado dia 29 de Novembro.

Queremos agradecer as sinceras mostras de solidariedade expressas nesta tribuna do XX Congresso pelo camarada Jerónimo de Sousa e em várias das intervenções de camaradas portugueses e delegações assistentes.

Quantas vezes as transnacionais imperialistas da informação tentaram denegrir Fidel? E porquê? E como poderão agora explicar que o povo cubano e os povos do mundo o chorem? É que Fidel morreu, mas continua vivo. Fidel representa o objectivo da luta dos povos. Fidel está na alma dos humildes do mundo. Perante Fidel não houve indiferença. Amaram-no apaixonadamente os povos. Fidel teve a imensa honra de provocar o ódio dos egoístas, dos mesquinhos, dos medíocres, dos oportunistas, dos imperialistas e dos seus lacaios.

Já é um facto que Fidel, um comunista, ficou inscrito entre as mais proeminentes personalidades do século XX e de inícios do século XXI, tendo exercido uma transcendental influência nos acontecimentos mundiais, sempre pela libertação dos povos e pela construção, com a sua teoria e práticas revolucionárias, de um projecto de um mundo melhor, solidário, contrário à opressão do capital e pelos pobres do mundo, dos chamados «perdedores» para convertê-los em vencedores, erigindo-se no cavaleiro de lança e espada de ideias para mudar o mundo e fazê-lo melhor.

Fidel Castro morreu só fisicamente e está multiplicado em muitos homens e mulheres do mundo que continuarão a sua luta contra a opressão, a libertação nacional, a educação a cultura, a prosperidade, o socialismo e uma nova ordem mundial de paz, desenvolvimento e justiça social.

Honra-nos profundamente o privilégio de expressar a mais calorosa e fraterna saudação do Partido Comunista de Cuba ao XX Congresso do Partido Comunista Português e desejar à direcção do Partido, aos delegados participantes e a todos os militantes portugueses os nossos mais sinceros votos de êxito neste magno evento, o qual terá, seguramente, uma grande transcendência histórica e profundo significado político para o povo português e para o movimento comunista internacional.

A história surpreende-nos novamente com situações extraordinariamente alarmantes. Enquanto os povos avistam um futuro incerto, sofrem o contínuo agravamento da sua situação social numa crise que não se vai e que deixou de ser notícia porque realmente o que acontece é um grave aprofundamento da crise estrutural do capitalismo.

O pano de fundo da crise mundial é a perigosíssima escalada de conflitos e guerras que são apresentadas de forma distorcida pelos media transnacionais da informação, para garantir que a oligarquia financeira mantenha o seu poder global. O despotismo e a avareza imperialista são devastadores para a humanidade, ao mesmo tempo que engendram as maiores monstruosidades, que só o capitalismo é capaz de gerar: a xenofobia, o racismo, a exclusão social, o terrorismo, o ódio contra o imigrante, a aversão contra a diversidade étnica e religiosa e muitas mais, até que o fascismo repugnante regurgite do passado, como se o ciclo da história pudesse repetir-se porque a humanidade nunca chegou a aprender bem a lição.

O incerto panorama mundial clama à unidade e actuação do movimento comunista internacional para enfrentar os temíveis desafios.

O socialismo cubano

Na América-Latina o imperialismo leva a cabo uma contraofensiva em todas as frentes, com o apoio das oligarquias nacionais, tentando desestabilizar e fazer retroceder os importantes processos democráticos, progressistas e anti-imperialistas que ali têm lugar, tentando ao mesmo tempo minar a cooperação e a integração dos países da região.

Quero partilhar convosco alguns dos aspectos fundamentais debatidos pelo nosso VII Congresso, realizado em Havana de 16 a 19 de Abril do presente ano. O evento mais importante dos comunistas cubanos analisou aspectos fundamentais do desenvolvimento do país e ratificou que o socialismo próspero e sustentável a que aspiramos se fundamenta na base ideológica do marxismo-leninismo, no ideário do nosso herói nacional José Martí e do líder da revolução Cubana, companheiro Fidel Castro.

O socialismo cubano constrói-se tendo em conta as nossas especificidades nacionais, as nossas conquistas sociais, as tradições de luta e a vocação internacionalista do nosso povo, com a convicção firme de que o capitalismo carece de futuro e não é uma alternativa sócio-económica válida para o desenvolvimento da nação cubana e a defesa da sua soberania.

O VII Congresso dos comunistas cubanos aprovou documentos e políticas determinantes para o futuro do nosso país e do nosso projecto social. Como continuidade do processo de transformações económicas que vivemos em Cuba e do trabalho que vem realizando o Partido para construir um modelo socioeconómico que se ajuste às nossas actuais necessidades e realidades, elaborámos as bases de um plano de desenvolvimento até o ano 2030 e uma conceptualização do modelo económico e social de desenvolvimento socialista que levamos à prática.

Esse projecto de conceptualização expressa sinteticamente os princípios do nosso socialismo, sustentado nas plenas igualdade, dignidade e liberdade do ser humano e tem os seus antecedentes nos mais de cinquenta anos de construção do Socialismo em Cuba, com os seus acertos e desacertos, assim como também na experiência histórica de outros processos de desenvolvimento socialistas exitosos, e não exitosos, os que, mesmo em diferentes dimensões, têm sido objecto do nosso estudo.

Cuba vive e desenvolve-se interagindo com um mundo também complexo e contraditório. Não ignoramos que a nova conjuntura internacional nos cria novos desafios e que poderosas forças externas apostam em gerar os chamados agentes de mudança para tentar, a partir de dentro, a destruição da Revolução e do socialismo em Cuba mediante uma combinação de bloqueio externo dos Estados Unidos contra Cuba, o que se mantém, e de subversão interna, o que nos impõe a necessidade de aprofundar e aperfeiçoar o trabalho político-ideológico incrementando o uso das tecnologias e redes sociais.

A Revolução cubana continuará a ser internacionalista e apoiamos decididamente os nossos aliados de luta. Denunciamos os que promovem os golpes de estado parlamentares, as guerras económicas, as campanhas mediáticas e desinformativas contra os processos populares, no mundo e na nossa região latino-americana.

Não há uma receita única para travar e reverter a contraofensiva do imperialismo e das oligarquias nacionais, mas há princípios que devem ser observados pelas forças progressistas do continente, sendo os fundamentais a unidade na acção e o apego à defesa dos direitos dos explorados.

Hoje é mais necessária do que nunca a mobilização contra as tentativas da direita de reverter as conquistas sociais alcançadas na América latina. Estamos certos de que o chamado «regresso» do neoliberalismo é frágil e possível de reverter. Os povos da região conheceram uma alternativa diferente, ainda perfeccionável, mas seguramente muito melhor do que a opção da direita pró-imperialista.

Os partidos comunistas e operários têm de estar à frente desta alternativa emancipadora e de ser exemplos na luta pela procura da unidade das forças revolucionárias.

O contributo fundamental do Partido Comunista de Cuba será a renovação e desenvolvimento de um socialismo forte e inclusivo, que constitua uma opção alcançável para os oprimidos do mundo.

Caros camaradas, uma vez mais queremos agradecer o acolhimento e as atenções dispensadas pelo Partido Comunista Português que, com uma impressionante organização, preparou a celebração com sucesso do seu XX Congresso e reiteramos-lhe a nossa vontade de continuar desenvolvendo vínculos cada vez mais estreitos para construir um futuro promissor para os nossos povos.




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