«Sondagens» por encomenda
As «sondagens» de que recentemente se falou, no «Brexit» e nas presidenciais dos USA, evidenciaram o descrédito a que se chegou nesta matéria. Foram concebidas e manipuladas para promover uma votação efectiva conforme com o que estava então apurado pelo poder económico-mediático, depois «a realidade enganou-se» quanto baste para as deixar mal vistas.
Mas a verdade é que são possíveis sondagens eleitorais sérias, embora comportem constrangimentos insuperáveis, porque só permitem prever uma estimativa da realidade eleitoral no intervalo de valores determinado pela margem de erro, e isto se a pergunta for clara e utilizados o método aleatório, amostras dimensionadas e estratificadas aos diversos níveis – geográfico, social, etário, de género e de voto –, inquirição fiável e estimação de abstenção e distribuição dos não respondentes e indecisos em conformidade com a realidade.
Na nova fase da vida política do País, o capital monopolista, PSD e CDS e seus instrumentos mediáticos, têm promovido «sondagens», que são mero contrabando dos seus objectivos, para empurrar a reversão do processo em curso (insuficiente e limitado) de defesa, reposição e conquista de direitos dos trabalhadores e do povo, para retomar todas as linhas da política de direita e tentar impedir o avanço do PCP e qualquer veleidade de uma política realmente alternativa.
A «sondagem» recém publicada pelo DN tenta legitimar a ideia de que o PS está «à beira da maioria absoluta», mas a amostra é insuficiente na sua estratificação e dimensão relativa, a distribuição dos que «não sabem» é duvidosa e é absurdo que considere apenas 15 por cento de abstenção. A sondagem é menos que uma «estimativa indicativa».
Nesta e noutras «sondagens», o que releva é o objectivo de convencer o PS de que, em caso de eleições, o «resultado» o deixaria sem depender dos votos do PCP e «livre» para aprovar todos os elementos significativos da política do governo. É evidente a mistificação; se isso viesse a acontecer, qualquer governo PS, como no passado, dependeria na verdade do PSD e CDS e trilharia de novo o caminho de todas as políticas de direita. Por isso, a verdadeira opção é o reforço do PCP e uma política patriótica e de esquerda.