Sindicatos suíços contestam flexibilidade

A União Sindical Suíça (USS) manifesta a sua oposição a uma maior flexibilização do tempo de trabalho, exigindo o respeito pela norma que obriga à contabilização das horas de trabalho.

Numa assembleia de delegados realizada dia 4 em Berna, a central sindical, que agrupa 18 federações num total de 380 mil associados, criticou os projectos que visam a total desregulamentação do horário de trabalho, defendidos no Conselho dos Estados por representantes de formações de direita, designadamente do Partido Liberal-Radical e do Partido Democrata-Cristão.

As iniciativas apresentadas por estas duas formações não só eliminam os limites da jornada de trabalho, como também suprimem os períodos de repouso nocturno e dominical para os trabalhadores que exercem funções de direcção e especialistas que ocupam cargos similares.

Nestes casos, desapareceria o direito a pausas assim como a duração máxima da jornada semanal, abrindo caminho à aplicação da semana das 60 horas como norma, alerta a USS, preocupada com as consequências de tal regime para a saúde dos trabalhadores e para a sua vida pessoal e familiar.

A central, citada pela agência suíça ATS, receia igualmente uma desvalorização dos salários, notando que «só a contabilização da duração do trabalho permite estabelecer com exactidão que não trabalhamos gratuitamente».

Os referidos projectos foram aprovados em finais de Outubro na Comissão de Economia do Conselho dos Estados (câmara alta da Assembleia Federal Suíça) e deverão agora ser examinados na Comissão da Economia Nacional, que poderá dar luz verde para a elaboração do projecto de diploma.




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