PCP propõe cortes nas subvenções
O PCP defende reduções das subvenções públicas quer no financiamento dos partidos políticos quer das campanhas eleitorais. Uma proposta nesse sentido preencherá hoje um dos pontos do plenário da AR em debate conjunto com iniciativas do PSD, BE, CDS e PAN.
O património e os meios do PCP estão colocados ao serviço dos trabalhadores e do povo
O projecto de lei do PCP, cujo conteúdo foi dado a conhecer em conferência de imprensa na passada sexta-feira, 21, pelo seu líder parlamentar, João Oliveira, visa a redução em 40 por cento do actual montante previsto para as subvenções públicas aos partidos, indexando o valor não a 1/135 avos do IAS mas a 1/225 avos por cada voto obtido em eleições legislativas.
No que se refere ao financiamento público das campanhas eleitorais a proposta do PCP vai no sentido de que o mesmo seja reduzido não só por via da subvenção mas também por via do limite máximo das despesas eleitorais.
Nas eleições para a Assembleia da República, para a Presidência da República e para o Parlamento Europeu a proposta contempla uma redução para metade das subvenções concedidas às campanhas eleitorais e uma redução a 25 por cento das actuais subvenções às campanhas eleitorais para as Assembleias Legislativas das Regiões Autónomas.
Quanto às autarquias locais, o PCP propõe medidas com uma «dupla natureza», segundo João Oliveira. Trata-se, por um lado, da redução do limite das despesas admissíveis nas campanhas eleitorais a um terço daquilo que hoje está previsto, e, por outro lado, da redução para 100 por cento e não de 150 por cento (como actualmente a lei define) da subvenção para as despesas das campanhas nas eleições autárquicas.
O esforço dos militantes
Estas propostas surgem em linha com a avaliação que o PCP faz desde a aprovação em 2003 da lei que proibiu o financiamento dos partidos por empresas – pela qual, aliás, se bateu sozinho durante muitos anos –, designadamente quanto ao reconhecimento de que tendo esta representado um avanço não é menos verdade que «aumentou muito significativamente o valor das subvenções aos partidos, quer no financiamento corrente quer no financiamento das campanhas eleitorais».
Os limites das despesas eleitorais tiveram igualmente aumentos significativos, o que elevou os níveis dos gastos eleitorais para patamares considerados «incorrectos», na óptica do PCP. João Oliveira lembrou, a este respeito, que se verificou inclusive uma acentuação da «desproporção de meios entre forças políticas» e sem que aquele aumento se tivesse traduzido em qualquer melhoria das «condições para o esclarecimento das diversas opções eleitorais ou para a apresentação de propostas alternativas».
Sublinhada com grande ênfase pelo líder parlamentar comunista foi, em síntese, a ideia de que os partidos não «devem depender essencialmente da subvenção pública», que a sua actividade «deve ser suportada financeiramente por via do esforço militante dos seus membros, dos seus simpatizantes». É isso que faz o PCP, reiterou, defendendo que «essa deve ser a regra» e que os «partidos não devem depender do Estado e do financiamento público para o desenvolvimento da sua actividade».
O populismo do CDS e BE
Alvo de avaliação crítica na conferência de imprensa foram também as propostas do CDS e BE relativas ao fim das isenções de impostos sobre o património dos partidos, caso do IMI, com o líder parlamentar do PCP a considerar que «são propostas populistas e demagógicas que têm na base a exploração de um sentimento anti-partidos, como se os partidos fossem um grupo de malfeitores».
«Traduzem uma perspectiva relativamente aos partidos de que não há qualquer tipo de utilidade pública na sua actividade e que portanto não deve haver qualquer reconhecimento relativamente às condições em que exercem a sua actividade por parte do Estado», argumentou João Oliveira, respondendo às questões dos jornalistas.
«O património e os meios afectos à actividade do PCP estão colocados ao serviço dos trabalhadores e do povo e, portanto, cumprem esse objectivo de interesse público que justifica que tenham essa consideração», realçou o presidente da formação comunista, antes de observar que «se outros partidos entendem que a sua actividade, os seus meios e o seu património não têm exactamente esse fim e não merecem essa consideração, será da responsabilidade de cada um».
Já relativamente a outras propostas, nomeadamente que possam ser convergentes com a proposta do PCP de redução das subvenções públicas (como a anunciada pelo PSD que converte em definitivas as reduções nas subvenções públicas), João Oliveira admitiu que venham a ter uma consideração diferente da sua bancada, no sentido de «viabilizar essas soluções».