Proposta do PCP sobre salários dos gestores

Chumbo impede alguma justiça

PSD e PS chumbaram, no dia 19, a proposta do PCP para limitar as remunerações dos gestores públicos e privados, limitando-as a 90 por cento dos salários do Presidente da República.

A proposta foi votada na comissão de Orçamento e Finanças, recebendo, além do seu autor, os votos favoráveis do BE e do CDS-PP.

Na base desta iniciativa da bancada comunista – aliás a única a propor-se limitar de forma efectiva os salários dos gestores, apesar de o PSD muito ter alardeado sobre o assunto a propósito da administração da Caixa Geral de Depósitos –, esteve o propósito de «introduzir alguma justiça» nas remunerações auferidos pelos cargos de topo das empresas públicas e privadas, como revelou ao Avante! o deputado comunista Miguel Tiago.

Trata-se, no fundo, de nivelar os salários desses gestores, impondo-lhes um limite equiparado à referida percentagem do salário ganho por quem ocupa o Palácio de Belém.

Com isso, além do nivelamento, um importante passo seria ainda dado no sentido de «combater a enorme assimetria salarial» que há no nosso País, reduzindo a gigantesca desproporção de níveis salariais entre quem está nos lugares cimeiras das empresas e quem está na sua base.

Miguel Tiago afirmou-se igualmente convicto de que esta medida possibilitaria – ainda que de forma reduzida, já que a via correcta seria pelo aumento dos salários mais baixos –, uma «mais justa distribuição do rendimento».

O Secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, falando nesse mesmo dia no debate preparatório do Conselho Europeu (ver nesta página), aludiu também a esta questão para lamentar a rejeição da proposta da sua bancada de limitar os «salários e privilégios» dos gestores, por parte do PSD e do PS, permitindo assim o que qualificou de «um farto aumento».

 



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