EUA acicatam guerra no Iémen
A marinha norte-americana lançou vários mísseis sobre posições das milícias iemenitas. O primeiro bombardeamento ocorreu na quinta-feira, 12, em resposta a ataques com mísseis disparados dias 10 e 12 contra três navios de guerra dos EUA fundeados ao largo do Mar Vermelho.
O Pentágono justifica as iniciativas com a necessidade de proteger cidadãos norte-americanos e a navegação na região, e argumenta que os ataques foram limitados à destruição de radares usados nos ataques contra os vasos de guerra.
Os milicianos houtis, reagindo à primeira iniciativa de envolvimento militar directo dos EUA no país desde o início da ofensiva da Arábia Saudita, em Março do ano passado, rejeitam responsabilidade nos ataques contra os navios de Washington. «O exército [fiel ao ex-presidente Ali Abdallah Saleh] e os comités populares não têm nada a ver com essa acção», salientaram.
Paralelamente, Omã anunciou ter levado a cabo uma operação de libertação de dois norte-americanos «retidos» no Iémen. A mediação do sultanato situado na Península Arábica permitiu que os cidadãos dos EUA (cuja identidade não foi revelada mas que os houtis acusam de espionagem) saíssem do cativeiro e fossem evacuados. Em troca, 111 feridos do bombardeamento saudita contra uma cerimónia fúnebre na capital do Iémen, Sanaa, seguiram para Omã para tratamento médico.
O bombardeamento da Arábia Saudita, dia 8, matou pelo menos 140 pessoas e feriu mais de meio milhar. As autoridades de Riade, entretanto, concluíram ter-se tratado de um erro motivado por informações imprecisas fornecidas pelo «exército iemenita» que se encontra ao seu serviço, e ainda se sentiram à vontade para garantir que a acção não teve o acordo final do comando saudita.
Os EUA são o principal aliado e fornecedor de material bélico à Arábia Saudita na campanha militar contra o Iémen, a qual, segundo dados de organizações humanitárias, atirou 21 milhões de pessoas (80 por cento da população) para uma situação de crise humanitária, provocando a morte a pelo menos sete mil iemenitas e forçando cerca de três milhões à deslocação interna.