CGTP-IN no congresso da FSM

 

No último dia do congresso, os seus participantes realizaram uma marcha pelas ruas de Durban


No 17.º Congresso da Federação Sindical Mundial, que teve lugar em Durban, na África do Sul, de quarta-feira, dia 5, a sábado, dia 8, a CGTP-IN esteve representada por uma delegação, da qual fez parte o Secretário-geral, que usou da palavra na tribuna. Estiveram representados também 11 federações e sindicatos portugueses, entre os quais estruturas da Intersindical Nacional que mantêm cooperação regular e assumem responsabilidades de direcção na FSM e em federações sectoriais. A central mantém o estatuto de não filiação.
Ao saudar o congresso, Arménio Carlos assinalou que se vive «um contexto complexo, em que o aprofundar da crise estrutural do sistema capitalista é acompanhado por um ataque sem precedentes aos direitos laborais e sociais e pelo aumento das acções de desestabilização e agressão desencadeadas pelo imperialismo». Reafirmando que a solidariedade internacionalista é «um dos princípios fundamentais do sindicalismo de classe», salientou que «é preciso que o movimento sindical junte forças e vontades, reforce a denúncia e sensibilize os trabalhadores e a opinião pública para a necessidade de se combater a política de agressão e ingerência dos EUA, da NATO e de alguns estados da UE, em várias regiões do Norte de África, do Médio Oriente, da América Latina e do Leste da Europa». Denunciou ainda «o verdadeiro rosto da UE militarista, federalista e neoliberal».
Sobre a situação em Portugal, Arménio Carlos começou por referir que «a política de direita foi agravada com o programa da CE, BCE e FMI», realizando «uma acção destruidora que contou com a forte resistência dos trabalhadores». Estes, «com a sua luta, deram um contributo decisivo para o esvaziamento da base social e eleitoral dos partidos do governo de então, conduzindo à sua derrota nas eleições». Tal luta, «construída e desenvolvida pelos sindicatos da CGTP-IN nas empresas e na rua, envolvendo trabalhadores e outras camadas da população», foi «determinante para interromper o projecto antilaboral e anti-social dos partidos de direita e alterar a correlação de forças no Parlamento». Assim, «foi possível travar e reverter medidas gravosas e defender e repor, ainda que de forma insuficiente, salários e direitos», mas «é preciso e possível fazer mais e melhor».

Para a CGTP-IN, «este é um tempo de afirmação de que não há inevitabilidades», confirmando-se «a importância da continuação da luta nos locais de trabalho, na resposta aos problemas concretos dos trabalhadores, partindo destes para a necessária elevação da sua consciência social e política». O Secretário-geral realçou que esta é «uma consciência de classe que terá de estar presente no momento em que a OIT discute “o futuro do trabalho”» e apelou a que se acabe com «a hipocrisia dos que, falando no trabalho digno, continuam a reclamar mais flexibilidade das relações laborais para reduzir direitos e salários aos trabalhadores».

«A FSM pode contar com a CGTP-IN para reforçar a unidade na acção, a solidariedade internacionalista e a intensificação da luta pela transformação da sociedade», concluiu Arménio Carlos.

Fórum mundial 

No congresso participaram cerca de 1500 representantes de organizações sindicais de 111 países de todos os continentes. Foi salientada a importância da sua realização em África e na República da África do Sul, pelo significado da luta do seu povo no passado e no presente.
Discutiu-se a situação internacional e a actividade do movimento sindical no período decorrido desde o 16.º Congresso, em 2011. Foi aprovada a Plataforma de Acção para 2016-2020 e foram eleitos os órgãos dirigentes para este mandato.

 



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