«Pantufada» reaccionária

Carlos Gonçalves

Está em curso a operação perversa do capital monopolista, do FMI, da UE, do PSD e CDS, contra as medidas positivas em curso e a hipótese da sua consolidação. Vão em crescendo – ameaças, chantagem, destabilização, revanchismo e «pantufada».

As agências de rating apontam o «ajustamento substancial», a Comissão Europeia decide – voltar ao tempo de M. L. Albuquerque e cortar 450 milhões na despesa do Estado em 2016; o FMI dita – prosseguir as «reformas», tirar 900 milhões ao OE de 2017 e ainda mais em 2018; o PSD, empurra cínicamente um novo «resgate»; o CDS bolça anticomunismo e reza por um novo Champalimaud.

Todos em compita pela acção mais abjecta contra o quadro político pós 4 de Outubro, à garupa do xico-espertismo do BE e da conivência (no) PS, com apoio mediático nunca visto, arremeteram contra hipotéticas medidas do OE de 2017 que possam taxar os lucros e o património dos grupos económicos.

M.R.Sousa, P.Coelho, A. Cristas, J. Sócrates, F. Assis, directamente ou por interposto escriba, fizeram coro em «defesa do investimento» e «estabilidade fiscal», zurziram o «saque à classe média» e o «socialismo de miséria» e chegaram ao absurdo do «já não há ricos como era de antes», agora são criativos mais tecnologia, em vez de herdeiros e exploração, «gente comum» e até «beneméritos... de esquerda».

Visam assim ocultar o capitalismo actual, o domínio do capital financeiro, a concentração de riqueza, o saque de países e povos, a desigualdade que fere centenas de milhões de pessoas, o trabalho escravo. Procuram esconder que, em Portugal, a política de direita levou o empobrecimento a uma dimensão estrutural, como agora comprovou a Fundação Manuel dos Santos – 25% das crianças e 1/3 da população na pobreza, no auge do governo PSD/CDS –, e se confirma na tese do PCP de que, ainda hoje, 1/3 dos trabalhadores recebe menos de 600 euros/mês e 10% estão em situação de pobreza, enquanto as 25 maiores fortunas valem 25 mil milhões de euros, 14%, do PIB.

Quando o «jornalista» Camilo Lourenço, para impor o corte de «pensões, salários e prestações sociais», pugna por uma «valente pantufada» em quem defende as medidas positivas em curso, torna-se claro e fica registado o desvario reaccionário da política de direita contra os trabalhadores e o povo.




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