TAP na rota errada
Um pedido urgente de reunião foi endereçado ao ministro do Planeamento e das Infra-estruturas pelo Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos, no dia 14, quarta-feira, com vista a exigir ao Estado, como accionista maioritário da TAP, que «não se demita e assuma de uma vez por todas as suas responsabilidades» na vida da transportadora aérea nacional.
Os accionistas privados, minoritários, estão a transformar a TAP numa companhia de baixo custo, acusou o Sitava, num comunicado aos trabalhadores intitulado «De medida em medida, até à “low cost” final».
Depois de lembrar que, «durante o obscuro processo de privatização da TAP que ainda decorre», chamou a atenção para «as falsas promessas e, sobretudo, para as inconfessadas intenções» expressas no «plano de negócios», o sindicato lamenta que os seus alertas pareçam estar a confirmar-se.
Hoje, «poucos terão já dúvidas» de que os accionistas privados sobrecarregaram a TAP com mais um empréstimo de 120 milhões de euros; anularam, «sem qualquer legitimidade», a encomenda dos aviões A350 e não falaram mais dos proveitos que daí resultaram. O sindicato da Fectrans/CGTP-IN imputa ainda aos privados minoritários «a manipulação, a seu belo prazer, dos lugares de decisão dentro da empresa»; as transferências para a TAP de custos «que antes oneravam os seus negócios pessoais»; e «os sucessivos anúncios, sempre no sentido de ir preparando a opinião pública para a inevitabilidade da transformação da TAP numa qualquer “low cost”».
O Sitava suscita ainda fortes interrogações quanto a «comparações que os actuais mandantes têm andado a fazer com mais um magote de consultores»; «rumores que correm, com cada vez maior insistência, sobre o encerramento de todas as lojas físicas»; e «o aumento do número de cadeiras nos aviões de todas as frotas»; e «deslocalização de trabalhos da Manutenção & Engenharia».
Do Governo é exigido mais do que, «depois de a TAP destruída, vir dizer que agora já nada há a fazer».