Debate sobre o estado da Nação na AR

O que mais dói a PSD e CDS

A reter do debate fica a atenção dedicada pelo PSD ao PCP e ao seu Secretário-geral. O número esteve a cargo do deputado José Pedro Aguiar Branco, na intervenção de fundo da bancada. Tecidos que foram por si rasgados elogios ao passado do PCP, logo a seguir tratou de ferrar com «veneno» o seu presente.

Falou do «importante papel do PCP na democracia», de «voz crítica dos governos», da sua «coerência intransigente», da sua «rectidão», para em seguida se questionar com cínica ironia se tais princípios e valores não estariam a ser comprometidos com o que disse ser a cumplicidade com medidas do Governo, como as relacionadas com a TAP, a CGD ou a «baixa do IVA para beneficiar os industriais do sector».

Mas o que as palavras do coveiro dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo revelam, está bem de ver, não é preocupação com a saúde do PCP.

A única coisa que incomoda e perturba, a si e ao seu partido, é saber o papel chave e o contributo decisivo que o PCP deu para travar a inflectir as políticas injustas e desumanas que flagelaram os trabalhadores e o povo, derrotando PSD e CDS e abrindo simultaneamente caminho a medidas que vão no sentido da recuperação de direitos e rendimentos.

Jerónimo de Sousa, que estava impedido de responder de imediato à diatribe do deputado do PSD, viria a arrumar as contas quando lhe coube subir à tribuna para a intervenção do PCP.

Dirigindo-se ao deputado Aguiar Branco, tocou, certeiro, no ponto que mais dói ao PSD e ao CDS: a perda de confiança de centenas de milhares de eleitores no governo de que foram responsáveis, traduzida na recusa do voto e, consequentemente, na sua derrota.

Esse era o «sentimento prevalecente na sociedade», frisou o líder comunista, lembrando que as pessoas «viram durante anos e anos as suas vidas flageladas, o seu emprego perdido, viram-se impossibilitadas de responder aos seus problemas de saúde, de apoio social – e não só eleitores comunistas, socialistas ou do BE, mas também muitos eleitores do PSD e do CDS».

«Procurem a esses 700 mil votos que vos fugiram», instou, virando-se para as bancadas do PSD e do CDS, garantindo encontrarem aí «a razão funda pela qual foi decisiva a contribuição do PCP para o afastamento do governo PSD/CDS».

Avanços

João Oliveira, no final, voltaria a pegar na arenga do deputado Aguiar Branco para lhe lembrar, referindo-se à TAP, que foi «esta solução, esta composição da AR que permitiu travar a privatização que o PSD e o CDS queriam fazer por completo», apesar de não ser a proposta do PCP que permitiria ir mais longe.

E quanto à CGD, assinalou que o PCP, ao invés do PSD que propõe comissões de inquérito que têm como objectivo liquidar a Caixa, continuará a bater-se para que a «recapitalização da Caixa seja feita a favor do reforço do banco público, evitando os despedimentos».

E ao PSD e ao CDS João Oliveira disse ainda que o que os mói é que a influência do PCP na composição da AR tenha permitido – contra a vontade daqueles partidos – «devolver salários, pensões e a sobretaxa, feriados, 35 horas, complementos de pensão, apoiar os desempregados, a gratuitidade dos manuais escolares» e, entre tantas outras medidas, a «melhoria das regras da renda apoiada», com a aprovação nesse mesmo dia em plenário das alterações ao respectivo regime jurídico.



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