Ruína e dor que não se apagam
Jerónimo de Sousa, na sua primeira intervenção no debate, deixou muito claro que o PCP não deixará de denunciar
as operações de branqueamento em torno da aplicação do pacto de agressão, como procuram fazer o PSD e o CDS.
Esta posição foi assumida pelo líder comunista a propósito do que considera ser a tentativa ensaiada por aqueles dois partidos de «porem o conta-quilómetros a zero desde Outubro do ano passado». Isto sem prejuízo de o PCP considerar que as causas dos problemas do País e seus responsáveis não se confinam apenas aos últimos quatro anos, tendo raízes bem mais fundas e que remontam a «décadas de política de direita de sucessivos governos».
Mas o que o PCP não permitirá é que se deixe «varrer da nossa memória colectiva» o que significou o pacto de agressão e a forma como este foi aplicado por PSD e CDS no anterior executivo, asseverou o líder comunista.
Política essa, recordou, que «arrasou direitos, rendimentos, serviços públicos, arrasou as vidas das pessoas que perderam o seu emprego, as suas casas, a sua pequena empresa, a sua exploração agrícola familiar, atirou para a pobreza centenas de milhares de portugueses e outros tantos para a emigração, enquanto o sistema financeiro se afundava no lodaçal da especulação e dos escândalos a serem pagos pelos portugueses».
E tudo, sublinhou, em nome do «défice, da dívida que afinal não se resolveu antes se agravou».
O Secretário-geral do PCP lembrou, ainda, que PSD e CDS «chegaram ao ponto de afirmar e teorizar que o povo português estava a viver acima das possibilidades», trazendo a lume, a este respeito, a expressão então utilizada por Passos Coelho segundo a qual o protesto era «como uma lamechice e a luta como acto inútil».
Ora, afinal, foi o «protesto e a luta que os haveria de levar à derrota», rematou o Secretário-geral do PCP, que não deixou de realçar o facto de a «nova arrumação de forças na Assembleia da República, a nova situação política encontrada» ter permitido dar resposta a alguns dos problemas mais urgentes, repondo designadamente «direitos e rendimentos», e «travando o assalto das privatizações».