Não às chantagens da UE
Rejeitar as chantagens da União Europeia e as sanções sobre Portugal, defender a soberania e o interesse nacional são os objectivos das acções iniciadas anteontem pelo PCP de Norte a Sul do País.
Portugal não pode tolerar mais agressões à soberania nacional
Terça-feira, dia 5, no âmbito da acção de esclarecimento que consiste na distribuição de um folheto editado para o efeito e, nalguns casos, acompanhada de intervenções e tribunas públicas com a presença de dirigentes e deputados do Partido, decorreram iniciativas em Lisboa, Porto, Coimbra, Braga, Guimarães, Aveiro, Setúbal, e Seixal, informou o gabinete de imprensa do PCP. Para ontem e hoje, 6 e 7, respectivamente, estavam marcadas iniciativas em Mangualde e Faro.
No folheto em distribuição, o PCP «repudia quaisquer medidas de chantagem económica e extorsão a Portugal, seja sob forma de “sanções”, seja sob qualquer outra forma».
No mesmo texto, o Partido considera «um acto de agressão inaceitável» pretender «“multar” e punir os portugueses», notando que estes «são vítimas de uma crise económica e social resultante da política de direita de governos anteriores, do PSD e CDS, mas também do PS, e das imposições da UE».
O PCP adverte ainda no documento que «as chantagens não se referendam» e que «Portugal não pode tolerar mais agressões à soberania nacional, aos direitos dos portugueses e à democracia tal como está consagrada na Constituição», sublinhando, por outro lado, que o nosso País «tem de se preparar para se libertar da submissão ao euro de modo a garantir os direitos, o emprego, a produção, o desenvolvimento, a soberania e a independência nacionais».
Por proposta do PCP, no dia 5, o Grupo Confederal da Esquerda Unitária Europeia/Esquerda Verde Nórdica (GUE/NGL), no qual os deputados do PCP ao Parlamento Europeu se integram, tomou posição contra as sanções a Portugal e Espanha, condenando a ingerência política e económica que tal traduz, e considerando-a «ilegítima e inaceitável», informou o gabinete de imprensa do Partido.
Também anteontem, reagindo ao adiamento por parte da UE da discussão sobre a aplicação de sanções a Portugal, João Oliveira, da Comissão Política do Comité Central, alertou que tal representa «o continuar do processo de chantagem, de pressão sobre o nosso País, com três objectivos: fazer reverter as medidas positivas que têm sido tomadas nos últimos meses; procurar recuperar a política do anterior governo PSD/CDS de agravamento da exploração e de empobrecimento, e mutilar a soberania nacional e a capacidade de decisão das instituições soberanas do nosso País».