Novo Banco com velha prática
O despedimento colectivo de 56 trabalhadores do Novo Banco e outros 13 funcionários de empresas do grupo continua a ser contestada. A Comissão de Trabalhadores considera que «não foram esgotadas outras formas possíveis de redução de trabalhadores» e, considerando estarmos «perante um banco que pode ser considerado estatal» tendo recebido «uma ajuda do Estado de 3,9 mil milhões de euros», a CT não compreende que «como é que o Governo não se opôs e não mandou travar de imediato este procedimento de despedimento colectivo, feito sem diálogo e cooperação».
Desde o colapso do BES/GES, em Agosto de 2014, foram já delapidados cerca de dois mil postos de trabalho no grupo.
No dia 8, em nota à imprensa, o Sindicato dos Trabalhadores da Actividade Financeira (Sintaf) informou sobre uma reunião realizada nesse mesmo dia com o Secretário de Estado do Emprego, na qual previa abordar as ilegalidades na reestruturação, irregularidades e o processo de despedimentos.
O Sintaf reiterou, ainda, posições já manifestadas de repúdio pela subserviência do Banco de Portugal ao Banco Central Europeu, de exigência de que a autoridade competente supervisione de facto a actividade seguradora, de controlo público da banca e de que o Governo cumpra com rigor a legislação.
Em comunicado anterior, o Sintaf acusou as «rescisões por mútuo acordo», comunicadas por correio electrónico, de terem sido levadas a cabo com recurso a «métodos de pressão» que configuram «assédio laboral», e «sem qualquer consulta às estruturas representativas dos trabalhadores, sem indicação de critérios e sem apresentação de qualquer plano de reestruturação» ao Sintaf.
Todavia, e apesar desta última prática violar a legislação nacional, o alegado plano de reestruturação «obteve o aval dos parceiros sociais», exceptuando da CGTP-IN, e a «conivência do Governo através do Ministério do Trabalho.
O sindicato dos bancários afecto à UGT também merece referência por parte do Sintaf, que o acusa de, a troco de receber para o subsistema de saúde tanto ou mais que os trabalhadores que rescindam contratos, não ser isento na defesa dos postos de trabalho.