Tempestade em copo de água

Jorge Cordeiro

A tem­pes­tade pro­vo­cada pela co­ber­tura e po­si­ci­o­na­mento do jornal Pú­blico sobre a Marcha em de­fesa da es­cola pú­blica e pela ino­pi­nada su­gestão de des­pe­di­mento face ao tra­ta­mento par­cial e in­qua­li­fi­cável a que aquela foi su­jeita, não pas­sará da­quilo que po­pu­lar­mente se iden­ti­fica como re­me­tida para um copo de água. Man­daria o bom senso nin­guém se expor em termos de in­dig­nação pe­rante a falta de isenção e o sen­tido de classe do re­fe­rido ma­tu­tino. O Pú­blico é neste campo um «caso de es­tudo» em ma­téria de falta de rigor, ma­ni­pu­lação in­for­ma­tiva, dis­cri­mi­nação, fal­si­fi­cação.

Su­gerir que al­guém seja des­pe­dido por cor­po­rizar esse es­tilo de jor­na­lismo é não só po­lí­tica e so­ci­al­mente re­pro­vável como um contra senso. Re­pro­vável porque no do­mínio de des­pe­di­mentos este órgão de co­mu­ni­cação so­cial não peca por de­feito como o tes­te­mu­nham amar­ga­mente muitas de­zenas de pro­fis­si­o­nais da casa. Um contra senso porque, olhando para o tra­balho jor­na­lís­tico em causa, ten­den­cioso e se­meado de men­tiras, a sua au­tora só pode ser ob­jecto, aos olhos dos que de­ter­minam o con­teúdo edi­to­rial do jornal, de louvor e pro­moção. Se o ob­jec­tivo dos de­fen­sores da des­truição da es­cola pú­blica e da pri­va­ti­zação do en­sino é apoucar a luta em de­fesa da es­cola pú­blica, nem Bel­miro e ou­tros que ali mandam podem acusar a jor­na­lista de falta de zelo. Trans­formar uma marcha de oi­tenta mil par­ti­ci­pantes em dois mil não será, se­gu­ra­mente, ob­jecto de es­cru­tínio crí­tico. Se o ob­jec­tivo é cons­truir a ideia que a de­fesa da es­cola pú­blica está con­ta­mi­nada par­ti­dária e ide­o­lo­gi­ca­mente (ao invés da mancha de ama­relos que têm saído à rua), os que de­ter­minam o que o Pú­blico deve es­crever só podem re­go­zijar-se pelo zelo de quem, na pele de jor­na­lista, não se coíbe de re­correr à men­tira mais gros­seira para com­provar a tese. Co­locar Je­ró­nimo de Sousa, e Ca­ta­rina Mar­tins, entre os que es­tavam no «palco» da Marcha, como o faz a peça de Clara Viana, só pode ser ex­pli­cado por ra­zões de ce­gueira, in­com­pe­tência ou má-fé. Seja qual for a es­colha nada que pu­desse ser visto pelos pa­trões do Pú­blico como cen­su­rável. Como é óbvio!




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