Tempestade em copo de água
A tempestade provocada pela cobertura e posicionamento do jornal Público sobre a Marcha em defesa da escola pública e pela inopinada sugestão de despedimento face ao tratamento parcial e inqualificável a que aquela foi sujeita, não passará daquilo que popularmente se identifica como remetida para um copo de água. Mandaria o bom senso ninguém se expor em termos de indignação perante a falta de isenção e o sentido de classe do referido matutino. O Público é neste campo um «caso de estudo» em matéria de falta de rigor, manipulação informativa, discriminação, falsificação.
Sugerir que alguém seja despedido por corporizar esse estilo de jornalismo é não só política e socialmente reprovável como um contra senso. Reprovável porque no domínio de despedimentos este órgão de comunicação social não peca por defeito como o testemunham amargamente muitas dezenas de profissionais da casa. Um contra senso porque, olhando para o trabalho jornalístico em causa, tendencioso e semeado de mentiras, a sua autora só pode ser objecto, aos olhos dos que determinam o conteúdo editorial do jornal, de louvor e promoção. Se o objectivo dos defensores da destruição da escola pública e da privatização do ensino é apoucar a luta em defesa da escola pública, nem Belmiro e outros que ali mandam podem acusar a jornalista de falta de zelo. Transformar uma marcha de oitenta mil participantes em dois mil não será, seguramente, objecto de escrutínio crítico. Se o objectivo é construir a ideia que a defesa da escola pública está contaminada partidária e ideologicamente (ao invés da mancha de amarelos que têm saído à rua), os que determinam o que o Público deve escrever só podem regozijar-se pelo zelo de quem, na pele de jornalista, não se coíbe de recorrer à mentira mais grosseira para comprovar a tese. Colocar Jerónimo de Sousa, e Catarina Martins, entre os que estavam no «palco» da Marcha, como o faz a peça de Clara Viana, só pode ser explicado por razões de cegueira, incompetência ou má-fé. Seja qual for a escolha nada que pudesse ser visto pelos patrões do Público como censurável. Como é óbvio!