WikiLeaks desmascara FMI

Cabala contra a Grécia

O site Wi­ki­Leaks pu­blicou, dia 2, a trans­crição de uma te­le­con­fe­rência, na qual dois res­pon­sá­veis do FMI dis­cutem a forma de levar o go­verno grego a aceitar mais cortes or­ça­men­tais e de con­vencer a Ale­manha a aceitar uma nova re­es­tru­tu­ração da dí­vida.

Os in­ter­lo­cu­tores são o di­rector de As­suntos para a Eu­ropa do Fundo Mo­ne­tário In­ter­na­ci­onal, Poul Thomsen, e a chefe da missão da ins­ti­tuição na Grécia, Delia Vel­cu­lescu.

Du­rante a con­versa, man­tida a 19 de Março, os dois res­pon­sá­veis mos­tram-se in­sa­tis­feitos com as ne­go­ci­a­ções em curso e dis­cutem como impor novas metas de re­dução do dé­fice grego, muito para além das pre­vistas no acordo de Julho.

Thomsen e Vel­cu­lescu con­cordam que tal só será pos­sível se se re­petir um acon­te­ci­mento como o de Junho pas­sado, quando o país foi obri­gado a sus­pender os pa­ga­mentos aos cre­dores. Os gregos só acei­taram ceder às exi­gên­cias quando «es­tavam prestes a ficar sem di­nheiro e a en­trar em in­cum­pri­mento». «E é isso pro­va­vel­mente que vai acon­tecer de novo», afirma Thomsen.

Este propõe ainda con­frontar An­gela Merkel com a ameaça da saída do FMI das ne­go­ci­a­ções, para obter em troca a luz verde para a res­tru­tu­ração da dí­vida da Grécia. «Di­remos: Olhe, se­nhora Merkel, está pe­rante um pro­blema, tem de pensar no que lhe traz mais custos: ir em frente sem o FMI, e aí o par­la­mento alemão irá per­guntar por que não par­ti­cipa o FMI, ou es­co­lher o alívio da dí­vida que nós pen­samos que é ne­ces­sário para con­ti­nu­armos a par­ti­cipar».

Fonte do go­verno grego re­agiu à re­ve­lação dos do­cu­mentos, de­cla­rando que «não vamos per­mitir que façam jogos em de­tri­mento do nosso país».




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