O número importa
Além de todas as diferenças programáticas, políticas, ideológicas, de percursos e posturas, há uma outra que entra pelos olhos dentro nesta campanha das presidenciais: o número.
A participação popular na campanha da candidatura de Edgar Silva está a anos-luz da participação nas outras. Pense-se nos grandes comícios no Palácio de Cristal ou na FIL e procure-se em qualquer outra candidatura imagens de mobilização semelhante: não há.
A candidatura de Edgar Silva coloca no centro das suas preocupações a participação, o envolvimento, o esclarecimento. As grandes iniciativas de massas decorrem de um estilo de campanha que corresponde a uma concepção da política e a um projecto democrático. Que naturalmente se exprime em muitos milhares de homens e mulheres que se assumem como construtores da campanha, em jornadas de propaganda, em acções e sessões em escolas, fábricas, colectividades, nas ruas ou nos serviços. Que se expressa no tipo de agenda que as candidaturas têm, e que no caso da de Edgar Silva faz questão de ir onde estão as pessoas, aos locais de trabalho e de encontro, nas grandes cidades ou nas mais isoladas aldeias.
O contraponto relativamente às outras candidaturas, em particular à do candidato do PSD e do CDS, é óbvio. Salas pequenas, de apoiantes escolhidos a dedo, levando os jornalistas à farmácia ou à sala de exames, numa atitude que só aparentemente é que não é encenada, contrasta de forma flagrante com uma outra, que reclama e exige participação.
«A reconhecida capacidade de mobilização», «a máquina do partido» e expressões que tais pretendem na verdade desvalorizar a presença de massas na campanha da candidatura de Edgar Silva. Como se todos e cada um dos seis mil apoiantes que encheram a FIL no passado domingo, por exemplo, tivessem sido «instrumentalizados» por alguma entidade oculta, em vez de decidirem livre e conscientemente participar num acto político de grande alcance e compromisso, que não terminará a 24 de Janeiro.