Melhorar salários na cutelaria
Em Caldas das Taipas, vila do concelho de Guimarães onde a cutelaria tem grande relevo, representantes dos trabalhadores levaram a duas empresas a exigência de aumentos salariais.
Empresas de futuro não podem ter salários do passado
A jornada, promovida pelo SITE Norte, sindicato da Fiequimetal/CGTP-IN, teve lugar no dia 7, quinta-feira. Iniciou-se junto à Mafil (Manuel Machado & C.ª L.da), cerca das 12 horas. Os dirigentes e delegados sindicais e membros de comissões de trabalhadores foram depois até à Herdmar (Manuel Marques, Herdeiros, SA), que integra os corpos gerentes da associação patronal AIMMAP.
Nas resoluções dirigidas às empresas, publicadas no sítio electrónico da federação, salienta-se que os bons resultados alcançados nos últimos anos não têm reflexo na remuneração e nas condições de vida e de trabalho de quem cria a riqueza.
Na Mafil, a gerência não aumenta os salários dos trabalhadores desde 2004 e têm sido completamente ignoradas as propostas dos trabalhadores e dos seus representantes sindicais. Por este caminho, chegou-se hoje a um ponto em que os trabalhadores estão a receber um salário líquido que não chega a 500 euros. Apesar desta postura, os trabalhadores têm contribuído para a estabilidade e o crescimento da empresa, cujas vendas subiram para mais de um milhão de euros, em 2014, assinala o sindicato.
A acção de solidariedade com os trabalhadores da Mafil teve também por objectivo reclamar da Mafil, para 2016: uma actualização de dez euros por cada ano em que os trabalhadores não tiveram aumento; um subsídio de alimentação de cinco euros; 25 dias de férias para todos os trabalhadores.
Também na Herdmar foi destacado que os trabalhadores auferem salários líquidos que rondam os 500 euros, em contraste com os números que retratam o estado da empresa: o volume de vendas, de 2012 a 2014, foi superior a 13,5 milhões de euros; o resultado líquido, no mesmo período, superou 456 mil euros; e o valor das vendas (exportações) cresceu de quase 2,9 milhões de euros, em 2011, para cerca de 4,4 milhões, em 2014.
«Os herdeiros do patrão herdaram uma fortuna, mas os trabalhadores e as suas famílias herdam dificuldades, empobrecimento e miséria», protesta-se na resolução, reclamando da administração uma atitude diferente quanto à actualização salarial de 2016.
Para os representantes dos trabalhadores, é uma «desculpa esfarrapada» o facto de a Herdmar remeter o aumento dos salários para negociações com a associação patronal AIMMAP, da qual esta empresa é dirigente.
Por um lado, «os trabalhadores trabalham para a Herdmar e não para a AIMMAP». E acresce que a AIMMAP «marca passo nas negociações do contrato colectivo, e faz gala dos resultados alcançados pelas empresas, enquanto as condições de vida dos trabalhadores do sector se degradam».
Na resolução recorda-se que as negociações com a associação patronal duram há já sete anos e exige-se que a Herdmar contribua na AIMMAP «para que as negociações entre a sua associação patronal e a organização sindical mais representativa no sector decorram com normalidade» e seja dada «prioridade ao aumento dos salários», porque «os trabalhadores não podem ficar à espera».
Com as exportações do sector metalúrgico e metalomecânico a superarem 14 mil milhões de euros em 2015, o sindicato sublinha que «empresas de futuro não podem ter salários do passado».