Escalada na Península da Coreia
Três «votos de condenação» relacionados com o recente anúncio de um ensaio nuclear por parte da Coreia do Norte, da autoria do BE, PSD e CDS, foram aprovados dia 8 pelo Parlamento. Os deputados comunistas abstiveram-se nos textos do BE e PSD, votando contra o subscrito pelo CDS. Já dois outros votos sobre a mesma matéria, do PCP e do PEV, foram rejeitados com os votos contra de PSD e CDS e a abstenção do PS.
Vendo no ensaio nuclear realizado pela República Popular Democrática da Coreia «mais um preocupante desenvolvimento na perigosa escalada militarista que está em curso na região da Ásia Oriental», o PCP lembra no seu voto que a actual situação na Península da Coreia «tem raízes históricas, designadamente na Guerra da Coreia e na divisão unilateral deste país imposta pela intervenção militar dos Estados Unidos», defendendo que a solução do conflito «exige passos no sentido do desanuviamento da tensão e o respeito dos princípios básicos das relações internacionais».
Face à «grave situação internacional» e aos «perigos da eclosão de um conflito de grandes proporções», entende assim a bancada comunista que urge o «efectivo empenho de todos os países na abolição de todas as armas nucleares», sete décadas depois do lançamento pelos EUA das bomba atómicas sobre as cidades japonesas de Hisoshima e Nagasaki, com as suas centenas de milhares de mortos e as sequelas que perduram até hoje».
É essa exigência de «abolição das armas nucleares de forma simultânea e controlada» que está contida na parte resolutiva do voto comunista, onde o PCP pugna ainda pelo «desenvolvimento de iniciativas que, no quadro do respeito dos princípios da Carta da ONU, tenham em vista a desnuclearização e desmilitarização da Península da Coreia e a sua reunificação pacífica, reconhecendo ao povo coreano o direito à paz e contribuindo para o desanuviamento nesta região».