O Bem Maior

Manuel Gouveia

Todos os processos de luta encerram lições. E aqueles que neles participam, como é o caso dos comunistas, sabendo que cada luta prepara a próxima, dão particular atenção a essa aprendizagem. Na maior parte dos casos, aprende-se aquilo que já se sabia, ou já se tinha a obrigação de saber. Porque a nossa teoria, táctica e estratégia, são também a experiência acumulada pela luta das gerações anteriores. Que cada geração deve aprender de novo.

Da luta travada no sector dos transportes nos últimos cinco anos – a luta contra as políticas austeritárias, dos PEC's de Sócrates ao governo PSD/CDS, passando pelo Memorando das troikas – queria hoje destacar uma situação concreta, onde a vitória é claramente possível porque se lutou e porque se recusou o caminho do mal menor, preferindo a derrota provisória ao compromisso.

Trata-se do caso das concessões de transporte, ou seja, do direito, centenário no caso dos ferroviários, dos trabalhadores e reformados do sector (e familiares) terem acesso gratuito aos respectivos transportes. Quando o Orçamento de Estado para 2012 propôs acrescentar este roubo aos que já vinham sendo impostos, foi lançada uma nova campanha contra os «privilégios» dos trabalhadores dos transportes. Apesar da violência e dos efeitos da campanha, os trabalhadores e reformados do sector não se deixaram atemorizar e continuaram a reivindicar o direito. Exigiram ser ouvidos, apelaram ao direito e à razão, e confiaram na sua unidade e luta.

Consumado o roubo, perante a luta que não esmoreceu, tentou o governo negociar e implementar uma linha de novos «descontos», dando a uns o que se recusava a outros para melhor roubar a todos. Em lado nenhum estes «descontos» foram assimilados, e a reivindicação continuou a surgir, ano após ano, «reponham o que nos roubaram e depois negociamos».

No dia 1 de Janeiro de 2016, fruto da luta (sem a qual o Projecto de Resolução do PCP sobre esta matéria nunca teria sido aprovado na Assembleia da República como o foi no passado dia 18 de Dezembro), o direito foi reposto no sector ferroviário, e é a base para a negociação colectiva que se iniciou.




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