O exemplo permanece
Promovida pela Comissão de Freguesia de Alcântara do PCP, realizou-se no dia 18 uma evocação a José Dias Coelho por ocasião do 54.º aniversário do seu assassinato pela PIDE.
José Dias Coelho é um mártir do Partido e da luta antifascista
A iniciativa teve lugar no exacto local em que o artista plástico e funcionário clandestino do PCP caiu varado pelas balas assassinas da polícia política do fascismo, assinalado com uma placa evocativa na rua que tem actualmente o seu nome. Intervieram, na ocasião, o membro da Comissão de Freguesia de Alcântara, Nuno Abreu, e o director do Avante! e membro da Comissão Política do Comité Central do PCP, Manuel Rodrigues.
O dirigente do PCP começou por sublinhar a figura do homenageado, «artista de sensibilidade e talento, que ao combate antifascista e ao seu Partido tudo sacrificou, incluindo a própria vida» e «exemplo de revolucionário e comunista» que foi «mais uma vítima da brutal repressão do fascismo salazarista». Traçando uma breve biografia de José Dias Coelho, Manuel Rodrigues lembrou os seus primeiros passos na actividade política antifascista, aderindo ao PCP no final da Segunda Guerra Mundial e ao MUD Juvenil no ano seguinte, o da sua fundação, e a participação activa em lutas estudantis e democráticas. Por essa actividade foi preso em 1948, quando participava na campanha eleitoral de Norton de Matos para a Presidência da República.
Em 1952, lembrou o director do Avante!, José Dias Coelho foi um dos mais destacados participantes e dirigentes da luta pela paz e contra a realização de uma reunião da NATO em Lisboa. Em consequência disto, é expulso (juntamente com 14 outros colegas) da Escola Superior de Belas-Artes, proibido de entrar em qualquer outra faculdade e afastado do seu lugar de professor do ensino técnico.
José Dias Coelho pôs ainda ao serviço da luta antifascista o seu imenso talento de artista: para além da participação em importantes exposições de Artes Plásticas, foi profícua a sua produção artística para a imprensa clandestina do Partido e do movimento unitário pela democracia e a paz. Destacou-se, ainda, pelo papel que desempenhou no trabalho político junto de intelectuais e artistas.
Manuel Rodrigues lembrou ainda a passagem de José Dias Coelho à clandestinidade, em 1955, e as diversas tarefas por si desempenhadas.
Crime hediondo
O dirigente do PCP guardou umas palavras para enquadrar o ano de 1961, em que José Dias Coelho foi assassinado, no quadro da luta antifascista do povo português: «foi um ano de forte abalo no regime fascista», com o assalto ao paquete «Santa Maria», a guerra colonial, as manifestações contra a burla eleitoral em que foi assassinado em Almada Cândido Capilé, a fuga de Caxias de 4 de Dezembro e a queda de Goa, que marcou o início do fim do império colonial português.
«Desesperado e raivoso», Salazar exigiu da PIDE a intensificação dos métodos repressivos. A partir de 15 de Dezembro foram realizadas sucessivas prisões de dirigentes do Partido. No dia 19, José Dias Coelho é assassinado à queima-roupa por uma brigada da PIDE, chefiada por José Gonçalves. O PIDE reteve o corpo e só o entregou no hospital da CUF duas horas depois, já moribundo. Como sublinhou o director do Avante!, a PIDE «tentou esconder o hediondo crime, mas não só não o conseguiu esconder como não conseguiu apagar o elevado exemplo de generosidade, honradez, coragem, dedicação e militância de José Dias Coelho».
A melhor homenagem que se pode prestar a este artista militante e militante revolucionário é, lembrou Manuel Rodrigues, continuar o combate do PCP pela alternativa patriótica e de esquerda, a democracia avançada, o socialismo e o comunismo. O director do Avante! enumerou em seguida o vasto conjunto de debates em que os comunistas estão envolvidos.