Fectrans exige anulação do Despacho 8496-A/2015

Perdão milionário

O secretário de Estado dos Transportes aproveitou o Despacho 8496-A/2015, sobre distribuição de receitas e compensações do passe social, para conceder à Barraqueiro e à TST um novo perdão de mais de 18 milhões de euros.

Em causa estão dois anos de verbas recebidas indevidamente

A acusação foi feita pela Fectrans/CGTP-IN, reagindo a uma notícia saída no Público de 29 de Setembro, onde a secretaria de Estado das Infra-estruturas, Transportes e Comunicações tentou remeter responsabilidades para a Área Metropolitana de Lisboa (AML).
Numa nota publicada dia 1, a Fectrans explicou que o perdão diz respeito a verbas indevidamente recebidas por aquelas empresas relativas aos anos de 2012 e 2013, mas o mesmo já tinha sucedido «desde pelo menos 2007».
A federação lembra que a distribuição das receitas do passe social intermodal de Lisboa «foi sempre realizada em prejuízo das empresas públicas e em benefício das privadas, à velocidade de cerca de 350 mil euros por mês» e «o próprio Tribunal de Contas, em 2010, adoptou uma resolução exigindo ao Governo que corrigisse este modelo». Os valores da repartição de receitas e definição de compensações às operadoras inseridas no serviço público do passe intermodal eram calculados a partir de inquéritos à utilização dos passes, e não com base nas informações recolhidas sobre a efectiva utilização (sistema de bilhética sem contacto).
«Como eram as empresas públicas que perdiam dinheiro, o Governo nada fez, e as empresas privadas continuaram a receber a mais» mesmo depois da resolução do TdC. Para a Fectrans, foi com a convicção de que a privatização do Metro e da Carris seria mais rápida que o Governo inscreveu no Despacho 10076/2013 a alteração do método de cálculo: «a partir de 1 de Janeiro de 2012», a repartição das receitas dos passes intermodais e a definição das compensações financeiras passam a ser realizadas com base nos dados do sistema de bilhética sem contacto.
Nessa altura, contudo, «nada mudou, a não ser os milhões de euros que mudaram de mãos com a assinatura do acordo entre o Governo e as rodoviárias privadas, que antecedeu a publicação do despacho».
Em 2015, «o Governo já pretende corrigir a favor da multinacional Avanza o que nunca se preocupou em corrigir em favor das empresas públicas Metro e Carris», denuncia a Fectrans: a produção de efeitos do Despacho 8496-A/2015 é retroactiva a 1 de Janeiro de 2014, revogando a data de 1 de Janeiro de 2012, que fora definida no despacho de 2013. O impacto somado representa uma perda de receita pública superior a 18 milhões de euros, a favor das duas operadoras privadas.
A Fectrans nota que «foi graças à AML, e nomeadamente ao seu secretário executivo, Demétrio Alves, que o Governo foi confrontado com este perdão que tentou fazer passar desapercebido».

Outro rumo

A Fectrans exige que seja imediatamente anulado o Despacho 8946-A/2015 e o perdão aos capitalistas donos da Barraqueiro e da TST (a DB alemã). Defendendo «um modelo de distribuição das receitas do passe social intermodal que não prejudique as empresas públicas e imponha deveres às empresas privadas», a federação reclama ainda que seja alargada a área abrangida pelo passe intermodal e que a obrigação de o disponibilizar aos utentes seja imposta a todos os operadores.
Reafirmando que «os privados são o problema e não a solução» e que «não há regulação eficaz sem a propriedade pública das empresas de transporte», a federação realça que «é tempo de mudar de rumo», para que a política de transportes públicos «tenha como centro os utentes e não os interesses dos capitalistas do sector».

 

Milhões para quem?

O Governo perdoa à Barraqueiro 9,9 milhões de euros. Com muito menos terá o grupo de Humberto Pedrosa entrado na «compra» da TAP (total de 10 milhões de encaixe para o Estado, pagos pelo consórcio Gateway, no qual Pedrosa entrou com David Neeleman).
A duas empresas privadas o Governo decide discretamente perdoar 18,8 milhões de euros. Com muito alarido e mistificação, arrecadou para o Estado dois milhões de euros com a entrega da CP Carga à multinacional MSC Rail.

 



Mais artigos de: Trabalhadores

Publicação imediata dos ACEP

O acórdão que declarou inconstitucional a interferência do Governo na celebração de acordos colectivos de empregador público (ACEP) dá toda a razão aos trabalhadores e aos sindicatos da CGTP-IN na Administração Local.

Novo contrato nas IPSS

Os trabalhadores das Instituições Particulares de Solidariedade Social vão ter um aumento salarial de vinte euros mensais, com efeitos retroactivos a Janeiro, depois de terem estado sem qualquer actualização durante cinco anos.

Eleições dão força à luta

No Plenário de Sindicatos, hoje, e no Conselho Nacional da CGTP-IN, ontem, a análise dos resultados eleitorais e das suas consequências determina as perspectivas da intervenção sindical e das próximas acções.

Governo falha carreiras na Saúde

Cerca de duas centenas de trabalhadores do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) participaram na jornada que teve lugar no dia 1, em Lisboa, para protestar contra a decisão do Governo de adiar para a próxima legislatura a publicação da...

FNAC pressiona para pagar menos

Nos últimos tempos, a FNAC tem vindo a desenvolver entre o seu pessoal uma política de pressão, em quase todas a lojas do País, assediando trabalhadores para reduzirem a duração do trabalho, de 40 para 20 horas semanais, e com isso reduzir os...

Resistência na Unicer

O Sintab/CGTP-IN, o Sinticaba e a Comissão de Trabalhadores da Unicer reuniram-se no dia 9, na sede da União dos Sindicatos de Santarém, e decidiram mobilizar o pessoal de todo o grupo para contestar a intenção de despedimento de 140 pessoas e de encerramento da fábrica de...

GNR «moderna e com direitos»

A petição «Por uma GNR moderna e com direitos», anunciada pela Associação dos Profissionais da Guarda (APG/GNR) na manifestação de 2 de Outubro, já tinha recolhido anteontem mais de 1500 assinaturas na Internet. A estrutura...