Filantropia

João Frazão

A Altice, a multinacional francesa que comprou a PT, decidiu anunciar a abertura de Centros de Contacto no nosso País, designadamente em concelhos do interior, a começar por Vieira do Minho, terra natal de um dos principais accionistas da empresa, assim a armar à filantropia e ao amor à terra.

Chegou agora a vez de Fafe. Os jornais locais exultaram, o presidente da Câmara fez os anúncios da ordem, houve conferências de imprensa e reuniões de emergência, que se é para ajudar a terra vamos lá despachar a coisa.

Vejamos então qual a proposta da Altice ao município de Fafe. A Câmara Municipal teria de garantir um espaço adequado às necessidades do centro de contacto a montar, no centro da cidade, pelo qual a empresa pagará uma módica renda entre 750€ e 1500€. A Altice, que anunciou o projecto, afinal não será parte envolvida, sendo uma empresa de trabalho temporário a assumir todo o processo.

Para corresponder aos ditames do capital (o nome para aqui interessa pouco) a CM, que já assumiu os custos de pré-recrutamento de trabalhadores, incluindo anúncios de página inteira jornais, decidiu construir um pavilhão, que lhe custará 800 mil euros, pelos quais ficará a pagar 12 mil euros por mês. Se dentro de três ou quatro anos a Altice/Randstad decidir fechar o centro de contacto, apenas terá que pagar uma pequena parte das obras de adaptação. O resto é por conta dos fafenses.

Isto não é promoção do investimento! O que se trata aqui é de uma CM se substituir a uma empresa nos investimentos que esta tem de fazer para prosseguir a sua normal actividade. Por acaso até estamos a falar de uma empresa (a Altice) que, teve, no primeiro trimestre, resultados líquidos na ordem dos 700 milhões de euros.

Fecha-se, pois o círculo vicioso do capitalismo moderno. Clamam, como crime de lesa pátria, contra a presença do Estado na economia, sempre à espreita de sentar-se à mesa do Orçamento comum, para o qual pretendem contribuir cada vez menos, para aspirar para si quantos recursos, que são de todos, consigam.

Nos órgãos de poder têm os seus representantes, tendo havido apenas uma voz a levantar-se contra esta negociata. O PCP.

É mesmo necessário romper com este rumo!




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