Verão em luta
O aviso lançado pela CGTP-IN, na concentração de dia 22, frente ao Parlamento, confirma que neste Verão a luta não vai de férias, porque o Governo mantém a ofensiva.
O Governo tenta fazer aquilo que a resistência travou
Nesta jornada nacional, de que demos breve notícia na anterior edição, alguns milhares de dirigentes e delegados sindicais e outros trabalhadores desfilaram do Largo de Santos, pela Avenida D. Carlos I, até junto do Palácio de São Bento, onde decorria o último plenário parlamentar desta legislatura, para declararem a determinação de «Prosseguir a luta contra a exploração e o empobrecimento», como se afirmava no lema da acção. No mesmo dia, a União dos Sindicatos da Madeira promoveu uma acção semelhante no Funchal, frente à Assembleia Legislativa Regional.
Com firme fundamento em números recentes sobre emprego, distribuição de rendimentos, cobrança de impostos e crescimento da pobreza e das desigualdades, a CGTP-IN condenou o Executivo que, nos últimos quatro anos, sob o programa de agressão assinado com a troika estrangeira, «prosseguiu a política de direita levada a cabo pelos governos anteriores e deu continuidade às medidas de desastre nacional contidas nos programas de Estabilidade e Crescimento (PEC), agravando todos os problemas causados ao País, aos trabalhadores e ao povo».
«A situação está hoje muito pior» e tornou-se «económica e socialmente insustentável», acusa-se na resolução que sintetizou a mensagem da jornada de dia 22 e na qual se apela à «continuação da luta em defesa do emprego, dos salários e dos direitos dos trabalhadores, das condições de vida do povo e de medidas orientadas para o desenvolvimento e progresso do País».
Esta luta «é indissociável do esclarecimento e mobilização dos trabalhadores, para infligirem nas próximas eleições legislativas uma derrota a este Governo do PSD/CDS-PP, assim como derrotar a política de direita, colocando na ordem do dia a alternativa política, de esquerda e soberana» e vai continuar a desenvolver-se nos locais de trabalho.
Na sua intervenção, o Secretário-geral da CGTP-IN, Arménio Carlos, assegurou que «vamos continuar em “alerta geral”» durante este período de Verão. Na resolução, o apelo à mobilização e à luta dos trabalhadores em Agosto e Setembro foi justificado para combater «as previsíveis manobras do Governo» para agravar mais a legislação antilaboral e anti-social, continuar as privatizações e aprofundar a degradação das funções sociais do Estado e a própria reconfiguração deste, «para servir os interesses do grande capital».
Além de saudar e valorizar os resultados das lutas travadas por trabalhadores da Administração Pública e das empresas, por jovens, desempregados, reformados, a Intersindical preveniu que, «Passos e Portas, conscientes da derrota que se avizinha, recorrem a todos os truques, incluindo a mentira, para tentarem enganar o povo».
Contra a mistificação de que se iria eleger um primeiro-ministro e contra a burla do voto útil para definir quem executará uma política já traçada, a Inter responde com o apelo à utilidade do voto de cada trabalhador e de cada português, que será tanto maior «quanto mais força der a uma política alternativa, de esquerda e soberana, que rompa com a alternância e responda positivamente às suas necessidades e anseios e ao desenvolvimento económico e social do País».
SPdH
Uma «Marcha dos Recibos» foi marcada para amanhã, dia 31, pelos trabalhadores da SPdH, que fazem greve das 9 às 14 horas. Da estação de Metro do Aeroporto de Lisboa, seguirão em manifestação até ao reduto TAP (edifício 25). Esta luta foi aprovada em plenário, no dia 15, e tem por objectivo exigir à administração da empresa de handling da TAP e do Grupo Urbanos melhores salários, que pare os abusos na organização dos horários de trabalho e que acabe com a proliferação da precariedade.
Continente
Os trabalhadores da Logística do Continente, na Maia, iniciaram na terça-feira uma série de greves de duas horas por dia em cada turno, para reivindicarem aumentos salariais, que não ocorrem há cerca de cinco anos. A revolta cresceu depois de a empresa do Grupo Sonae ter aumentado alguns trabalhadores em três, quatro ou cinco euros, como explicou um dirigente do CESP/CGTP-IN em conferência de imprensa, no dia 24. O sindicato admite que outro período de greve seja marcado ainda em Agosto.
Panrico
Chamada a uma reunião de conciliação, no Ministério do Emprego, a administração da Panrico não alterou a sua decisão de pagar o trabalho em dia feriado apenas com um acréscimo de 50 por cento, desrespeitando o contrato colectivo do sector. O Sintab/CGTP-IN anunciou que em Setembro vão ser decididas formas de luta, de modo a preservar os direitos e rechaçar as imposições de uma administração que está de saída, pois a empresa vai ser comprada pela multinacional mexicana Bimbo.
Enfermeiros
Em Agosto, os enfermeiros vão fazer greves de um dia em cada uma das cinco ARS, revelou o SEP/CGTP-IN, que já no início do mês tinha admitido convocar formas de luta, porque o Ministério da Saúde não está a cumprir o protocolo negocial que assinou há dois meses, uma vez que não apresenta contrapropostas de valorização e harmonização salarial, entre outras matérias incluídas no caderno reivindicativo reapresentado em Abril pelo sindicato.
Transportes
A Fectrans/CGTP-IN, num comunicado de dia 24 aos trabalhadores do Metro, da Carris, da Transtejo e da Soflusa, refere não ter sido possível que todos os sindicatos e CT se disponibilizassem para concretizar uma luta comum contra os processos de destruição em curso no sector público de transportes. Depois de relatar o que se passou na reunião de representantes, dia 17, e nos dias seguintes, a Fectrans conclui que «procuraremos juntar todos, mas não ficaremos à espera das hesitações e indefinições de alguns». Em preparação está um dia de luta em Agosto.