Manobras
As manobras eleitorais da coligação já estão «a bombar», como diria Portas em Português de esquina, que ele julga ser «a língua do povo». E a linha das manobras é elementar: o desastre nacional de quatro anos de reaccionarismo revanchista tem de ser preenchido com a bóia inventada por Pedro e Paulo – a «recuperação do País», que em 2011 (ano de posse deste Governo) estava «à beira da bancarrota». A promessa eleitoral que agora fazem consiste em variações do velho lema «não deitar o menino fora com a água do banho» ou seja, há que «reelegê-los» para «consolidarem» o belo serviço em que enterraram Portugal.
Passando «como cão por vinha vindimada» (mantenhamos os aforismos) pelos destroços da sua acção governativa, esta gente actua como se o País estivesse atulhado de mentecaptos, sem memória nem consciência do que aconteceu e o quão violentamente se sofreu no quotidiano das pessoas, das famílias, de populações inteiras espalhadas pelo território nacional, ao longo de quatro anos de pilhagem crescente a quem trabalha ou vive de reformas e de degradação constante de serviços públicos essenciais como os da Saúde, do Ensino, da Justiça, dos Transportes ou da Segurança Social.
Esturdiando em nichos favoráveis, escolhidos a dedo e às resmas, onde realizam «colóquios», «aniversários», «celebrações» «encontros» e ranchadas similares, acrescentam a utilização do aparelho de Estado para colocar Passos, Portas e ministros a propagandear a toda a hora, ora em pose de Estado, ora em estado de pose – dali nunca saem –, dizendo patacoadas a granel e já sem olhar a meios, como Portas (sempre este homem fatal) que, na Madeira e em mais um aniversário qualquer, bramava ao Atlântico e a quem teve de o ouvir que «os próximos quatro anos vão ser de crescimento e de aforro», sem explicar como nem porquê e após caucionar toda a governação como «uma saída da bancarrota», esquecendo o breve pormenor de que o seu Governo pegara no País com um défice do PIB de 90 por cento e, quatro anos depois, está nos cento e trinta por cento.
Mas a mentira escancarada também cavalga na campanha da coligação de direita, como a afirmação de que o seu Governo «criou 180 mil postos de trabalho». A primeira aldrabice está no período escolhido para tal «criação» – entre 2013 e 2015 –, a segunda, é que os «postos de trabalho» criados são esmagadoramente trabalhos precários e a terceira é que o Governo tomou posse em 2011 e desde então para cá foram destruídos 280 mil postos de trabalho directos, enquanto o desemprego de longa duração subiu para os 800 mil e a totalidade dos desempregados anda pelo milhão e meio, sem falar no meio milhão que emigrou.
Estes são factos, que o povo português sangra de os conhecer.
E não há manobras que lho façam esquecer.