Reforçar o Partido e alargar o apoio à CDU

Patrícia Machado (Membro da Comissão Política do PCP)

O reforço do PCP nos planos político, orgânico, ideológico e eleitoral é um factor decisivo para a ruptura com a política de direita e para abrir caminho a uma política patriótica e de esquerda. Estas tarefas, de grande exigência e complexidade, têm de ser tratadas de forma integrada, contribuindo cada uma delas para o êxito das outras.

O papel dos activistas da CDU é determinante na campanha

Image 18613

Os mais de 2100 recrutamentos, assim como a campanha de contactos e a Marcha Nacional «A força do Povo» colocam potencialidades enormes para o nosso trabalho: a integração e responsabilização destes novos militantes são claramente decisivas para o alargamento da influência e intervenção do Partido. A par dessa massa imensa de novos contactos e recrutamentos, com potencial de intervenção, continuam a assumir grande importância e actualidade as direcções de trabalho apontadas na Resolução «Mais organização, mais intervenção, maior influência. Um PCP mais forte», entre elas a venda e difusão da imprensa do Partido, o reforço dos meios de propaganda, o crescimento da capacidade financeira do Partido, a estruturação e o trabalho junto de empresas e locais de trabalho.

A Festa do Avante!, festa de Abril, constitui uma tarefa prioritária nos seus vários objectivos. Assegurar a sua construção e divulgação e vender a EP são elementos determinantes para aquilo que será, nos dias 4, 5 e 6 de Setembro, um grande momento de afirmação e projecção dos valores de Abril no futuro de Portugal.

Desmontar mentiras

No actual contexto social e político a ofensiva ideológica, é igualmente forte, pelo que é necessário desmontar e contrariar falsas ideias ou «verdades» construídas, como aquelas a que vimos assistindo no debate e preparação para as eleições para a Assembleia da República, mais ou menos requentadas, remendadas ou novinhas em folha. Ele é por parte do PSD/CDS – «o pior já passou», «estamos a assistir à retoma e ao crescimento», multiplicando-se em périplos pelo País, acções de propaganda das políticas do Governo PSD/CDS, discursos e frases repetidas por membros do Governo, comentadores e também pelo Presidente da República. E da parte do PS – «nós vamos fazer diferente» ou ainda pela omissão ou silêncio conivente e conveniente, já que é melhor não divulgar as suas reais intenções, que seguem o trilho da política de direita até aqui percorrido pelos sucessivos governos PS, PSD com ou sem CDS.

Exemplo da sua prática foi a conferência no Fundão, onde um conhecido dirigente nacional disse «não me vou comprometer com o fim das portagens» nas SCUT, referindo-se às portagens na A23, que tanto têm penalizado a região de Castelo Branco e de outras zonas do Interior. Para o PS, a solução não passa, naturalmente, pelo seu fim, até porque foi um dos governos do PS que começou a construir os pórticos, que PSD e CDS finalizaram. Nesta como em tantas outras questões, a diferença não é de ruptura ou mudança com estas políticas, mas sim a sua continuidade, com mais vírgula ou menos pontuação. A essência é idêntica.

Importa ainda referir que, de ambas as partes, ecoam ideias como: não é preciso esclarecer que as eleições não são para primeiro-ministro mas sim para eleger deputados; não há alternativas a PS, PSD e CDS, ou seja, aos mesmos que há 39 anos conduziram o País para a situação actual, com dois milhões e 700 mil portugueses a viver abaixo do limiar da pobreza, um milhão e 200 mil no desemprego e 500 mil que emigraram. Uma situação marcada ainda pelas privatizações, a destruição do aparelho produtivo ou o ataque aos serviços públicos.

Papel determinante

O papel dos homens, mulheres e jovens, dos activistas da CDU, da juventude CDU, é determinante para ouvir, esclarecer e convencer. Esta dinâmica, que de Norte a Sul, passando pelas regiões autónomas, está a crescer, afirma a CDU como a força da política alternativa patriótica e de esquerda.

Nesta batalha, é necessário o «apelo às organizações e aos militantes do Partido para que, confiando na classe operária, nos trabalhadores, na juventude e no povo português, desenvolvam a luta de massas, alarguem a intervenção política, façam da preparação das eleições legislativas uma grande campanha política de massas, de esclarecimento e mobilização para o voto na CDU, batalha de grande importância para a ruptura com a política de direita e a afirmação de uma política patriótica e de esquerda, vinculada aos valores de Abril» (da resolução do CC de 28 de Junho 2015).



Mais artigos de: Opinião

Missão cumprida

Em cima da hora, é ainda possível duas palavras sobre a entrevista de Paulo Portas na terça-feira a um canal de televisão. «Missão cumprida», pavoneia-se o pavão, irrevogavelmente a borrifar-se para as consequências da missão de que, pelos vistos,...

A causa das causas e a causa das coisas

O PS decidiu plantar pelo País umas largas centenas de cartazes de grande formato repetindo por três vezes a palavra «Emprego» à qual chama «a causa das causas». É uma espécie de regresso ao passado, numa estratégia já ensaiada em 2005 quando na...

Conto do vigário

Sem dúvida inspirado no santo protector Cavaco Silva que ao longo dos últimos quatro anos nunca o desamparou, o ainda primeiro-ministro e cada vez mais candidato Passos Coelho, acolitado pelos seus pares de partido e de coligação, anda numa roda viva a ver se consegue que o País real...

Manobras

As manobras eleitorais da coligação já estão «a bombar», como diria Portas em Português de esquina, que ele julga ser «a língua do povo». E a linha das manobras é elementar: o desastre nacional de quatro anos de reaccionarismo revanchista tem de...

A pilhagem

Na Cimeira do Euro, de 12 de Julho, foi exigida a submissão do povo grego e pilhagem do seu país como condição para a negociação de um novo «memorando» que, a concretizar-se, será obrigatoriamente em parceria com o FMI. Nesse sentido e entre outras...