Mais de cem mil na Marcha Nacional
a Força do Povo

Uma força imensa com a CDU

«Ninguém é dono dos votos dos portugueses! Está nas mãos dos trabalhadores e do nosso povo, está nas mãos deste imenso mar de vontades que aqui está e quer um País de progresso e de justiça social, na convergência dos democratas e patriotas, dar força, com a sua luta e com o seu voto, à concretização de uma política e de um governo patrióticos e de esquerda, afirmou Jerónimo de Sousa no comício que encerrou a Marcha Nacional «A Força do Povo», promovida sábado, pela CDU.

É possível derrotar a política de direita, trazendo mais e mais portugueses para a luta e para o voto

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Os principais dirigentes das forças políticas que integram a Coligação Democrática Unitária, entre os quais o Secretário-Geral do PCP, encabeçaram a acção de massas que fez transbordar a Avenida da Liberdade, em Lisboa, inundando-a com bandeiras da Coligação Democrática Unitária PCP-PEV e com palavras de ordem, fundadas em razões justas, expressas nos panos e nas pancartas que mais de cem mil fizeram desfilar durante cerca de duas horas e meia, ininterrupatamente, rumo aos Restauradores.

O imenso caudal humano começou-se a formar ao final da manhã em torno do Marquês de Pombal, onde desaguaram centenas e centenas de autocarros, vindos de Norte a Sul do País. Da Madeira e dos Açores também veio gente de fibra.

À hora do arranque da Marcha Nacional, lá em baixo, na Praça dos Restauradores, os ecrãs gigantes instalados junto ao palco projectavam as muitas lutas travadas, nos últimos anos, contra 38 anos de política de direita e quase três décadas de integração capitalista europeia, mas logo as imagens mudaram para a torrente compacta que descia a grande artéria alfacinha.

Milhares e milhares de homens, mulheres, jovens, trabalhadores, reformados, desempregados, em número suficiente para encher os Restauradores e três avenidas da Liberdade, como sublinhou o Secretário-Geral do Partido na intervenção de encerramento (ver páginas seguintes), ali estavam porque não quiseram faltar a um momento maior de denúncia das consequências de uma política imposta por sucessivos governos contra Abril, e, simultaneamente, de afirmação dos valores, conquistas e realizações da Revolução.

E por isso, dos panos e das frases gritadas a plenos pulmões, emergiam a defesa das funções sociais do Estado, a recusa das privatizações e da venda de Portugal a retalho, a rejeição do garrote de uma dívida à boleia da qual têm sido impostos o aumento da exploração e do empobrecimento, a crescente submissão do País ao interesses do grande capital.

Consignas gerais e unificadoras de objectivos e eixos das soluções que a CDU tem para o País, aliadas a outras mais específicas da localidade, região ou sector do grupo de manifestantes que as transportava, mas que demonstraram a força do projecto e das convicções, da verdade, da honestidade e da dignidade, as quais, corporizadas pela CDU e ampliadas numa grande campanha de esclarecimento e de contacto directo que até às legislativas se realizará, permitem afirmar, com confiança, que Portugal tem futuro. Com a força do povo.

Uma força que ali ficou inequivocamente demonstrada, sublinhou ao Avante! Jerónimo de Sousa já quase à chegada aos Restauradores e visivelmente satisfeito pelo sucesso de uma Marcha que, de forma poderosa e inapagável, projectou a rejeição do rumo de humilhação e de corrupção, bem como a vontade e a capacidade de libertar o País, promover a produção nacional, o emprego e os serviços públicos, defender a justiça fiscal, o desenvolvimento, a soberania e a democracia.

Ao lado do Secretário-Geral do PCP, na cabeça da Marcha Nacional, Heloísa Apolónia revelou ao nosso jornal que a mobilização verificada superou todas e as melhores expectativas. A dirigente do Partido Ecologista «Os Verdes» (PEV), assim como o membro da Intervenção Democrática (ID) João Corregedor da Fonseca, falariam antes de Jerónimo de Sousa no comício com que terminou a iniciativa.

Tal como o fez Alma Rivera, em nome da Juventude CDU, que logo atrás do quadrado onde seguiam membros das direcções do PCP, do PEV e da ID acompanhados de dezenas de democratas e patriotas que estão com a Coligação, trazia uma tarja onde se podia ler «Que seja agora! Queremos o que é nosso!».

Pois que seja. Com «a acção e a luta de todos é possível derrotar a política de direita (…), trazendo mais e mais portugueses para a luta e para o voto por uma nova política e por uma alternativa patrióticas e de esquerda». Juntando, em suma, «a esperança, a esta força imensa», como concluiu Jerónimo de Sousa.

 



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