Drama no Superior
Paula Santos, deputada do PCP à Assembleia da República (AR), contactou, no dia 27, com os estudantes do Ensino Superior do distrito de Setúbal, onde recolheu testemunhos dos graves problemas sentidos no sector.
Pela manhã visitou a Faculdade de Ciências e Tecnologias da Universidade Nova de Lisboa (FCT-UNL), em Almada, tendo reunido com a direcção da instituição. De seguida falou com os alunos, que lhe deram conta dos seus problemas, nomeadamente o elevado valor das propinas, as dificuldades do seu pagamento, os custos elevados dos transportes, o crescente número de estudantes a trabalhar para pagar os estudos e a falta de apoios à investigação científica.
Na parte da tarde a deputada comunista esteve no Instituto Politécnico de Setúbal (IPS). Ali reuniu com a direcção do IPS – que deu a conhecer os efeitos, na instituição, dos cortes orçamentais que este Governo tem feito no Ensino Superior – e com a direcção da Associação Académica, que realçou a importância do reforço da Acção Social Escolar.
Paula Santos terminou a visita na Residência de Santiago, tendo falado com a Comissão de Residentes, que expôs outras situações com que os estudantes são confrontados no seu dia-a-dia, como a falta de apoios nos estágios (transportes e alimentação) e problemas pedagógicos com a excessiva carga de trabalho na Escola Superior de Tecnologia. Deram ainda a conhecer a exigência da construção de mais um refeitório no IPS, bem como da construção da Escola Superior de Saúde, com a qual o PCP e a JCP estão solidários.
Aprofundar o conhecimento
Estes contactos serviram para aprofundar ainda mais o conhecimento da situação do Ensino Superior e para transmitir aos estudantes e às direcções das instituições as posições por que o PCP e a JCP se têm batido no quadro da sua intervenção na AR.
«Entendemos que o financiamento para o Ensino Superior deve ser reforçado e ser posto um ponto final à existência de propinas, somos pela gratuitidade do Ensino», defende a Comissão Regional de Setúbal da JCP, reclamando ainda que «o financiamento para a Acção Escolar (ASE) deve ser reforçado», assim como «mais bolsas, melhores residências, mais e melhores cantinas» públicas.
Os jovens comunistas exigem, de igual forma, «a saída de Portugal do Processo de Bolonha», uma «reforma do Ensino Superior que tenha em conta a realidade concreta e as especificidades do nosso País», a «revogação do Regime Jurídico das Instituições do Ensino Superior» e a «participação dos estudantes nos órgãos de gestão da universidade em paridade com os funcionários e professores e a retirada das entidades externas destes órgãos».
Em nota de imprensa, a JCP manifestou-se ainda contra a «criação de fundações» e as «fusões ou consórcios no Ensino Superior», que «não deve ser encarado como um negócio, mas como um direito».