Greve nos caminhos-de-ferro alemães

Salários e direitos

Os maquinistas da Deutsche Bahn iniciaram, na segunda-feira, 4, uma greve por aumentos salariais e liberdade de organização sindical. A paralisação poderá manter-se até domingo.

Paralisação abrange carga e passageiros

Ao longo de dez meses de duras negociações, os maquinistas da Deutsche Bahn, a companhia pública de caminhos-de-ferro alemães, realizaram sete greves.

A oitava paralisação, iniciada na segunda-feira, será a mais longa da história da companhia, caso dure como previsto até domingo.

O Sindicato dos Maquinistas Alemães (GDL, sigla em alemão) exige um aumento salarial de cinco por cento e a redução em uma hora da jornada semanal de trabalho.

Mas o combativo sindicato luta igualmente pela liberdade de organização sindical, pretendendo que lhe seja reconhecido o direito de negociar acordos para outras categorias profissionais.

Esta exigência visa alargar o âmbito do sindicato e evitar a sua anulação enquanto organização minoritária na Deutsche Bahn.

No final do ano passado, o governo alemão aprovou um projecto-de-lei que visa reduzir a influência dos pequenos sindicatos, considerados demasiado conflituosos.

«O nosso projecto tem como base evitar os confrontos e fomentar a cooperação», declarou na altura Andrea Nahles, ministra do Trabalho social-democrata.

O diploma prevê que quando na mesma empresa existam duas organizações sindicais, deverão prevalecer as decisões do sindicato maioritário, por exemplo no caso da convocação de greves.

A ser aprovada, a nova lei restringiria a liberdade sindical, podendo levar à extinção de pequenas organizações, como é o caso do GDL.

Muitas vozes críticas se levantaram contra o projecto, considerando que põe em causa o direito à greve, razão suficiente para que o Tribunal Constitucional o deva vetar.

Deste modo, a greve convocada pelo GDL não se limita a reivindicações económicas, mas é também contra um projecto que atenta contra a liberdade de organização e acção sindical.

Por isso, na semana passada, o sindicato manteve a convocação da greve, recusando uma proposta da empresa, que oferecia um aumento salarial de 4,7 por cento, acrescido de um prémio de mil euros. 




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