Polónia apaga memória
O edil do pequeno município polaco de Pieniezno, situado a Nordeste, perto da fronteira russa de Kaliningrado, solicitou autorização para desmantelar o monumento a Ivan Tcherniakhóvski (1906-1945).
O general mais jovem do Exército Vermelho, duas vezes herói da União Soviética e comandante da III Frente da Bielorrússia, perdeu a vida, aos 38 anos, combatendo pela libertação da cidade polaca.
A posição do município, anunciada dia 24 de Abril, surge depois de responsáveis do Conselho Polaco para a Protecção da Memória da Luta e Lugares de Martírio da II Guerra Mundial se terem pronunciado contra a permanência do monumento, erigido em 1970, alegando ser contrário aos interesses do país, e que o general soviético contribuiu para impor à Polónia o regime comunista, contra a vontade e violando os direitos da população.
A polémica teve resposta imediata por parte do embaixador da Rússia na Polónia, Serguei Andréev, lembrando que «sem a vitória dos soldados soviéticos, os polacos não existiriam como nação».
Andréev, citado, dia 28 de Abril, pela cadeia russa de televisão RT, considerou que está em curso uma tentativa para «convencer as jovens gerações de polacos de que o Exército Vermelho não libertou a Polónia, mas apenas substituiu a ocupação nazi por outra forma de ocupação».
Todavia, sublinhou, «a Polónia estava sob ameaça de uma colonização total e o seu povo, do extermínio e da expulsão».
A decisão final deverá ser tomada até ao final de Maio, mas a Rússia já foi convidada a trasladar o monumento para o seu território ou para um dos cemitérios militares soviéticos existentes na Polónia.
Por seu turno as autoridades russas manifestam a sua indignação face à atitude polaca, recordando os acordos bilaterais que estipulam a preservação mútua dos monumentos históricos.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia lembrou que muitos monumentos soviéticos são frequentemente alvo de vandalismo. O próprio monumento a Tcherniakhóvski já foi objecto de duas tentativas de desmantelamento. No passado mês de Fevereiro, um grupo de desconhecidos cortou e decapitou várias figuras do monumento aos paraquedistas soviéticos, situado na aldeia de Sokolov, no Oeste do país.