No socialismo e agora
O gabinete oficial de Estatísticas da República Checa divulgou em meados de Abril um estudo comparativo do poder de compra hoje e há 30 anos, sob o regime socialista.
Os números oficiais indicam que o salário médio aumentou sensivelmente neste período. De 2920 coroas em 1985 (107 euros ao câmbio actual), passou para 25 686 coroas (937 euros) em 2014.
Contudo, quem hoje dispuser desse valor médio pode comprar cerca de 1100 broas de pão, ou seja, a mesma quantidade que compraria há 30 anos.
Em contrapartida, poderá adquirir uma quantidade duas vezes superior de manteiga e quatro vezes de ovos.
No mesmo sentido, as estatísticas indicam que o salário médio é suficiente para adquirir 8,6 aspiradores, contra 2,5 unidades há 30 anos. O senão é o preço da energia, que era muito mais barata na época precedente.
A cultura era igualmente mais acessível. Em 1985, com o mesmo salário médio, os checos podiam comprar um terço mais de bilhetes de cinema do que hoje.
Também o transporte público era três vezes mais barato, restando como consolação, aos que hoje optam por ficar em casa, a possibilidade de poderem pagar duas vezes mais por serviços audiovisuais do que há 30 anos.
Os dados, divulgados dia 16 de Abril pela Rádio Praga, são omissos relativamente a outros aspectos que pesam no poder de compra, por exemplo o acesso à Educação ou à Saúde, assim como nada referem quanto ao nível de desigualdade de rendimentos, factor que necessariamente revelaria a verdadeira incidência do «salário médio», hoje e há 30 anos.