1.º de Maio em greve
Os trabalhadores dos hipermercados e supermercados vão estar em greve no dia 1 de Maio, por aumentos salariais e contra a ofensiva patronal, expressa nas propostas da APED.
Só no trabalho suplementar, a APED quer roubar dois a quatro por cento
A decisão foi aprovada anteontem, dia 21, num encontro nacional, por mais de uma centena de dirigentes e delegados sindicais do CESP/CGTP-IN, representativos dos trabalhadores da grande distribuição comercial. Depois de analisarem a situação laboral e social e as posições patronais na negociação do contrato colectivo de trabalho, os participantes no encontro saíram da sede do sindicato e foram, em manifestação, entregar as conclusões da reunião à Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição.
«Os trabalhadores estão muito indignados com as propostas miseráveis que cortam no valor do trabalho extraordinário e aumentam os horários de trabalho», agravando as consequências do congelamento salarial mantido há cinco anos, explicou Manuel Guerreiro à agência Lusa. O presidente do CESP e membro da Comissão Executiva da CGTP-IN previu que a greve tenha uma grande adesão, porque este ano a apresentação do pré-aviso não visa apenas, como tem sucedido, permitir que os trabalhadores possam faltar para participar nas comemorações do Dia do Trabalhador, mas é uma resposta de luta à situação que se vive no sector.
É inaceitável que as empresas da grande distribuição, com elevados lucros, estejam a pressionar os trabalhadores para aceitarem a redução de direitos e de retribuição, considerou o secretário-geral da CGTP-IN, que participou no encontro. Arménio Carlos, citado pela Lusa, elogiou a coragem dos trabalhadores «que não têm medo de lutar pelos seus direitos e por melhores condições de vida e de trabalho e que vão estar em luta nos seus locais de trabalho e nas ruas».
Na negociação do contrato colectivo de trabalho da grande distribuição, que tem decorrido no Ministério do Emprego, já em fase de conciliação, o CESP propôs a negociação imediata do aumento dos salários e dos subsídios de refeição, cujos valores nominais não são alterados há cinco anos. Os aumentos, com efeitos a 1 de Janeiro deste ano, deveriam incidir sobre os salários médios praticados, e os trabalhadores deveriam ser integrados numa única tabela salarial.
A APED respondeu com uma proposta que liquida direitos e resulta numa redução, de dois a quatro por cento, nas remunerações de todos os trabalhadores, apenas em consequência da redução do acréscimo de retribuição por trabalho suplementar ou em dia feriado. Os patrões, que apenas oralmente admitiram uma actualização salarial de 0,9 por cento, se as suas propostas fossem aceites, querem ainda acrescentar «oscilações» diárias à «adaptabilidade» dos horários, o que permitiria «alterar todos os dias o horário de trabalho», como denunciou o sindicato.
A par da negociação com a APED, os trabalhadores e o sindicato estão a apresentar cadernos reivindicativos em empresas e nalguns locais de trabalho.