Unidos pela ferrovia
A greve de dia 16 deixou claro o descontentamento face ao rumo que o Governo insiste em impor e comprovou que é possível construir forte unidade na acção, realçou o Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Sector Ferroviário.
O feriado de 25 de Abril vai ser de greve no sector
No comunicado que divulgou na terça-feira, dia 21, o SNTSF lembrou que 25 de Abril não será, no sector, apenas a data de comemoração de 41 anos de liberdade. Quando os ferroviários vivem «um dos mais graves períodos da sua história», será também dia de «mais uma jornada de luta contra a diminuição do pagamento do trabalho extraordinário em dia feriado», ao abrigo do pré-aviso de greve que o sindicato da Fectrans/CGTP-IN mantém a todo o serviço prestado para além do horário normal.
A greve provocou a supressão de centenas de comboios de passageiros, o encerramento de muitas bilheteiras e de muitos centros de trabalho da CP, para além da supressão da actividade da CP Carga e da EMEF e do encerramento de muitos locais de trabalho da Refer, informou a Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações, numa informação que publicou a meio da tarde de 16 de Abril e na qual realçou a «elevada unidade na acção» que marcou a luta, «construída numa ampla discussão de todas as organizações de trabalhadores».
O plano conjunto envolveu ainda a distribuição, no dia 14, de um documento sobre a destruição do caminho-de-ferro em Portugal, durante os últimos 27 anos e por força da acção de oito governos, aplicando quatro «pacotes ferroviários» da Comissão Europeia. O folheto, em quatro línguas, foi entregue aos participantes no 3.º Congresso Mundial de Formação Ferroviária, que reuniu em Lisboa responsáveis de várias empresas e da União Internacional dos Caminhos-de-Ferro.
As organizações representativas promoveram também a exibição, no dia 20, do filme The Navigators, de Ken Loach, sobre os efeitos da privatização da British Railways, tanto na vida dos trabalhadores, com retirada de direitos e extinção de postos de trabalho, como na operação da empresa, descurando normas de segurança, reduzindo serviços, deixando degradar o material circulante e as infra-estruturas, aumentando os bilhetes – «situações que já se verificam com as medidas que têm vindo a ser aplicadas pelo Governo PSD-CDS», comentou o SNTSF, no seu comunicado de saudação à «determinação dos ferroviários na luta contra as privatizações» no nosso País.
Tanto o sindicato como a federação insistem em registar os objectivos que geraram forte unidade na acção a partir dos locais de trabalho: contra a liquidação/privatização da CP Carga e da EMEF; contra a destruição da Refer através da fusão com a Estradas de Portugal; contra a entrega das partes lucrativas da CP aos privados; contra o roubo das concessões de transporte aos ferroviários no activo e reformados; pela ferrovia, pelos ferroviários, por Portugal.
A greve teve lugar na data em que há 40 anos foi publicado o decreto-lei da nacionalização da CP.