Continuação do declínio
«O PS não só não rompe com a política de desastre nacional como se propõe mantê-la, com este ou aquele acerto quanto ao ritmo ou forma de concretização».
PS opta por continuar a política que conduziu o País à actual situação de desastre
Neste termos reagiu ontem, na AR, em declarações aos jornalistas, o deputado comunista Paulo Sá a propósito do cenário macroeconómico apresentado pelo PS na véspera.
«O que faz é avançar com propostas isoladas que não repõem, na globalidade, os rendimentos e direitos dos trabalhadores», sublinhou.
Com efeito, o documento que o PS anunciou servir de base ao seu futuro programa eleitoral prevê que a reposição dos salários do sector público seja apenas de 40 por cento em Janeiro de 2016 (a parte restante em 2017, remetendo o descongelamento de carreiras só para 2018 e a eliminação gradual da sobretaxa de IRS em duas fases, 50 por cento no próximo ano e 50 por cento em 2017).
Ora «o que se exigia e que o PCP exige», frisou Paulo Sá, é a «reposição integral de todos os rendimentos e direitos eliminados nos últimos quatro anos».
«O PS assume integralmente o quadro institucional do euro, todos os mecanismos da chamada governação económica, o Tratado Orçamental. Ao assumir todos estes condicionalismos e constrangimentos, opta pela continuação de todas as políticas de exploração, empobrecimento e desastre nacional que foram levadas a cabo no País nos últimos anos», constatou o parlamentar comunista.
Nesse sentido, acusou, o PS «quer manter o confisco dos salários dos trabalhadores da administração pública no próximo ano, quer manter no essencial a brutal carga fiscal que incide sobre os rendimentos dos trabalhadores, não só mantendo por mais dois anos a sobretaxa extraordinária como perpetuando o regime de escalões e deduções do IRS responsáveis pela injustiça fiscal sobre os trabalhadores, quer manter as medidas mais gravosas do Código do Trabalho, quer manter em sede de IRC os instrumentos que permitem aos grandes grupos económicos e financeiros realizar um planeamento fiscal agressivo».
Paulo Sá verberou ainda o facto de o PS se propor manter e prosseguir a política de privatizações e lamentou que não diga uma palavra sobre os «despedimentos encapotados por via da requalificação».