Há riscos de destruição do sector
O Secretário-geral do PCP manifestou a sua profunda preocupação pelo fim das quotas leiteiras, desde o início do mês, alertando para as consequências dramáticas de tal medida sobre a vida dos produtores nacionais. Para o primeiro-ministro, este é um problema que não lhe tira o sono.
O País corre o risco de se transformar em mero depósito dos excedentes de leite dos países nórdicos
O tema esteve no centro do debate quinzenal realizado na semana transacta, dia 1, com Jerónimo de Sousa a desafiar Passos Coelho a revelar o que tem a dizer aos produtores de leite sobre este assunto candente para o seu futuro. «Num tempo em que precisamos de aumentar a produção, o nosso aparelho produtivo, criar emprego, o Governo faz exactamente o contrário», criticou o líder comunista, que indagou se o País vai ser um «mero depósito dos excedentes dos países nórdicos».
Instou ainda o primeiro-ministro a esclarecer se aceita a destruição de explorações leiteiras e, consequentemente, de empregos na produção e na transformação, o que em sua opinião terá efeitos trágicos para a nossa economia e designadamente para o sector.
«Não temos para dizer aos produtores uma coisa diferente do que dissemos ao longo destes anos, desde que soubemos que estava programado o fim desta protecção, destas quotas», disse o primeiro-ministro, procurando despachar a questão, num indisfarçável incómodo pelo tema.
E num lavar de mãos pela situação a que se chegou, considerou que o Governo fez o que podia para que as quotas pudessem perdurar, e «por mais tempo favorecer outras oportunidade de investimento e competitividade para os produtores portugueses».
«Mas sabemos há vários anos que este dia haveria de chegar. E não podemos estar na União Europeia com duas caras, isto é, aceitando tudo o que ela tem de bom para nós, mas rejeitando qualquer coisa que possa não favorecer este ou outro sector», referiu, numa postura resignante, de quem acha normalíssimo este processo liquidatário.
«Senhor deputado, é muito simples: Nós temo-nos vindo a preparar, e os produtores portugueses também, para este dia», rematou, secamente, qual coveiro assumido do sector leiteiro.
Jerónimo de Sousa, na réplica, afirmou ter visto nas palavras do chefe do Governo uma «espantosa expressão» sobre o modo como este encara questões-chave para o País, como seja a questão do emprego ou a questão dos nossos défices estruturais, designadamente o défice alimentar.
E criticou com dureza a «forma acrítica» como Passos Coelho se colocou perante o problema criado pelo fim das quotas – uma espécie de «temos que gramar, porque a UE decidiu, mesmo que essa decisão ameace de morte um sector», assim a comparou – considerando que tal atitude é reveladora da «falta de brio patriótico para defender os interesses nacionais, designadamente na União Europeia».