Cangalheiros
É bem conhecido o zelo de Paulo Macedo no seu já longo serviço à «causa pública». Começou como Director-Geral dos Impostos, onde se notabilizou pelo seu principesco vencimento (falava-se em algo equivalente a 25 000 euros mensais) e pelo seu meticuloso sentido de classe na orientação da máquina fiscal para a extorsão e o confisco dos rendimentos do trabalho e para o alívio da carga fiscal sobre ricos e poderosos.
E foram tantos e tais os serviços prestados à «causa» que, como prémio, o grande capital, pelas mãos do primeiro ministro, logo o convidou para ministro da Saúde do Governo PSD/CDS para usar a sua assumida «competência» na destruição do Serviço Nacional de Saúde.
E como de destruição de uma conquista de Abril se tratava, logo o frenético ministro se pôs a fazer cortes e mais cortes – nos orçamentos, nos profissionais, nos serviços e nos recursos técnicos – para garantir que os portugueses não continuariam a viver acima das suas possibilidades, descansando, assim, o directório da União Europeia preocupado com o nosso perdulário despesismo.
De tão profícua e abnegada acção era inevitável que resultasse, por um lado, o caos nas urgências dos hospitais públicos e a degradação geral dos serviços de saúde e, por outro, o crescimento exponencial dos grandes negócios privados em torno da saúde.
O Sindicato dos Médicos do Norte (SMN) veio agora juntar mais um elemento à desastrosa situação que se vive na saúde: a exaustão (síndrome de burnout) a que são sujeitos os enfermeiros e os médicos que lidam com doentes graves. Diz aquele Sindicato que, após uma noite de trabalho, os profissionais de saúde do IPO do Porto são impedidos de gozar o seu descanso compensatório, sendo obrigados, muitas vezes, a trabalhar por períodos de 24 horas seguidas, pondo em risco a saúde e a segurança dos doentes e do próprio médico.
Um risco que se pode ainda evitar. Como diz o povo, vale mais prevenir que remediar. E prevenir é derrotar política, social e eleitoralmente estes cangalheiros dos direitos que conquistámos em Abril. Com uma alternativa a sério, para que outros cangalheiros não lhes tomem o lugar. Com o voto na CDU, claro!