URAP denuncia regresso do projecto em Santa Comba Dão

Salazar jamais, museu nunca

A União de Resistentes Antifascistas Portugueses (URAP) alerta que a Câmara Municipal de Santa Comba Dão insiste em «materializar um pólo de saudosismo fascista e de revivalismo do regime ilegal e opressor, derrubado pelo 25 de Abril de 1974».

Portugal nada deve a Salazar senão opressão e atraso

Image 17748

A nova tentativa da autarquia em concretizar, na casa onde viveu o ditador fascista, um «Museu Salazar», do «Estado Novo» ou mesmo um «Centro Interpretativo», é pública e tem sido confirmada em múltiplas declarações do seu presidente, Leonel Gouveia, eleito pelo PS. «O município prepara-se mesmo para apresentar uma candidatura a fundos comunitários para financiar a intervenção», denuncia a URAP, para quem, se por «hipótese absurda e inadmissível» o projecto fosse por diante, este «não seria um factor de efectivo desenvolvimento do concelho, nem o pagamento de qualquer dívida de Santa Comba Dão a um “filho da terra”, porque esta nada lhe deve senão opressão e atraso económico e social, como aliás todo o País». A URAP contesta, igualmente, o argumento de que se trata de um «organismo “meramente científico”» e acusa a CM de Santa Comba Dão de pretender «uma organização centrada na propaganda do regime corporativo fascista» e do seu líder. Nesse sentido, questiona: «Qual o espólio deste futuro “Museu”? A cama? O pincel da barba? Meia dúzia de manuscritos?», pergunta, já que, como é sabido, «todo o espólio relevante para o estudo científico da pessoa do ditador António Salazar e do regime que ele corporizou, encontra-se arquivado na Torre do Tombo, sendo acessível aos investigadores». No comunicado divulgado dia 11 e assinado pela direcção da URAP e pelo seu Núcleo de Viseu/Santa Comba Dão recorda-se que a Constituição da República proíbe, no seu Artigo 46.º, «as organizações que perfilhem a ideologia fascista» e que a Lei 64/78 as define, no artigo 3.º, como as que «pelos seus estatutos, pelos seus manifestos e comunicados, pelas declarações dos seus dirigentes ou responsáveis ou pela sua actuação, mostrem adoptar, defender, pretender difundir ou difundir efectivamente os valores, os princípios, os expoentes, as instituições e os métodos característicos dos regimes fascistas (...) ou a exaltação das personalidades mais representativas daqueles regimes», proibindo-lhes, para mais, o exercício de toda e qualquer actividade.

Elogio da resistência

A organização antifascista lembra que, em 2007, promoveu uma petição pública contra a iniciativa da CM de Santa Comba Dão, a qual recolheu cerca de 16 mil assinaturas. Na altura, a Comissão de Assuntos Constitucionais de Direitos, Liberdades e Ga- rantias da Assembleia da República apreciou a matéria, tendo concluído, no seu relatório final, votado por unanimidade, que o parlamento deve «condenar politicamente qualquer propósito da criação de um “Museu Salazar” e apelar a todas as entidades, e nomeadamente ao Governo e às autarquias locais, para que recusem qualquer apoio, directo ou indirecto, a semelhante iniciativa». «Os quarenta e oito anos de ditadura fascista constituem um dos períodos mais sombrios da história de Portugal», acrescenta a URAP, que repudia os  que o procuram «esconder e escamotear» socorrendo-se de «uma permanente e bem elaborada campanha, com vastos meios e sob diversas formas, de branqueamento». «A fazer-se, devia ser um Museu da Resistência, no qual se mostrasse como um povo resistiu às maiores atrocidades que um ditador e seus serventuários lhe quiseram infligir, e   lhe infligiram», considera a URAP no texto,  antes de se concluir que «a luta determinada de um povo pela sua liberdade e pela sua felicidade, essa sim é que é merecedora de locais de encontro e de promoção dos valores da democracia e do Estado de direito».



Mais artigos de: Nacional

CDU a crescer na Madeira

A Coligação Democrática Unitária está à beira de eleger um grupo parlamentar como ainda não tinha tido no Parlamento Regional, revelou Edgar Silva num jantar-comício com cerca de 800 pessoas. Jerónimo de Sousa sublinhou, por seu lado, que a 29 de Março é chegado «o momento de dizer Basta!, de cada um fazer ouvir a sua voz e a sua razão, e afirmar, com o seu voto na CDU, essa esperança que queremos ver concretizada».

Em defesa do direito à Saúde

Utentes, profissionais e os seus representantes, autarquias e eleitos da CDU resistem ao ataque governamental visando degradar o Serviço Nacional de Saúde (SNS), em defesa do direito constitucional que este materializa e da sua efectivação.

Em defesa da escola pública

Estudantes do Básico e Secundário manifestaram-se, ontem, em várias cidades, contra a destruição da escola pública e pela demissão do Governo.

Amplas comemorações <br> do 8 de Março

As iniciativas destinadas a assinalar o Dia Internacional da Mulher prosseguem, dando seguimento ao amplo leque de acções já realizadas. Em Faro, ontem, 18, o núcleo do Movimento Democrático de Mulheres (MDM), em parceria com o agrupamento de Escolas Pinheiro e Rosa, procedeu à...

CDU exige contas e remunicipalização

Custos superiores ao previsto e degradação do serviço sustentam a exigência da CDU de realização de uma auditoria interna à privatização de parte da higiene urbana na cidade do Porto, bem como o seu regresso à esfera municipal, defenderam Pedro...

CDU denuncia fraude <br> na Junta de Odivelas

Para a CDU, a auditoria realizada à Junta de Freguesia de Odivelas branqueia contractos de leasing fraudulentos. Os eleitos da coligação PCP/PEV dão conta da existência de várias irregularidades cometidas pelos executivos PS e PSD na autarquia. «A lista é extensa e...

Solidários com a Venezuela

Os núcleos de Évora da Associação de Amizade Portugal-Cuba (AAPC) e do Conselho Português para a Paz e a Cooperação (CPPC) e a União de Sindicatos do Distrito de Évora promoveram, dia 12, nas instalações do INATEL, uma sessão de...

Contra as armas nucleares

O CPPC lançou um abaixo-assinado (que pode ser subscrito em papel ou através do endereço electrónico http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT76455.) pelo fim das armas nucleares, recuperando o teor fundamental do Apelo de Estocolmo, que há precisamente 65 anos fez desta uma bandeira...

Assembleia Geral <br> da URAP dia 28

A URAP realiza, no próximo dia 28 de Março (sábado), na Biblioteca-Museu República e Resistência, em Lisboa (Rua Alberto de Sousa, n.º 10-A), às 14h30, a sua Assembleia Geral Ordinária. Da ordem de Trabalhos constam a apreciação e votação...