Belgas mobilizam-se contra programa antipopular

Sem justiça social não haverá paz

Mais de dez mil pessoas manifestaram-se, dia 11, em Bruxelas, contra a ofensiva do governo contra os salários, os serviços públicos, as prestações sociais e o aumento de impostos.  

Frente sindical anuncia calendário de lutas

O protesto foi convocado pela frente sindical que junta as duas maiores centrais sindicais, a FGTB (socialista) e CSC (cristã), bem como numerosas associações de combate à pobreza, de defesa dos desempregados, artistas e os movimentos TAC (Tout Autre Chose) e Hart Boven Hard.

Perante uma mole de gente concentrada na Place de la Monnaie, no centro de Bruxelas, os dirigentes sindicais lembraram a greve geral de 15 de Dezembro, após a qual foi possível chegar a um primeiro acordo com o governo.

Porém, como salientou Marc Goblet, secretário-geral da FGTB, o governo não respeitou o acordo.

Em vez disso, insiste na «moderação» salarial e redução do poder de compra, nomeadamente mediante o congelamento dos salários, que deixam de ser actualizados consoante a inflação.

Nas palavras de Rudy De Leeuw, do sindicato socialista ABVV, a suspensão das actualizações significa «uma perda de dois por cento do salário», com reflexos em todas as prestações sociais.

O projecto do governo, que já deu entrada no parlamento, prevê multas entre 150 e 1500 euros por trabalhador, a aplicar às empresas que não respeitem o congelamento salarial.

O objectivo do governo é impedir que nos sectores onde há maior organização sindical os trabalhadores forcem as administrações a romper o bloqueio dos salários.

No plano fiscal, os trabalhadores continuam a ser os mais penalizados. São eles, segundo Marc Goblet, que pagam «entre 30 a 50 por cento de impostos sobre os seus rendimentos, enquanto os lucros financeiros são taxados entre zero e 25 por cento. É injusto.»

Em cima da mesa está também uma eventual subida do IVA, que agravaria os efeitos da inflação, bem como a promessa de desagravar o imposto sobre as empresas de 33 para 25 por cento.

No plano social, o governo de Charles Michel, em funções desde Outubro, pretende aumentar para 67 anos a idade da reforma, reduzir o orçamento da Saúde, assim como cortar nas prestações sociais, em particular dos desempregados.

Nos seus planos está ainda o regresso à vida activa dos pré-reformados e dos desempregados mais idosos. Não se conhece os contornos da medida, mas como sublinham os sindicatos, é algo que não faz sentido num país que conta já com 600 mil desempregados.

Resistência tenaz

Determinados a impedir a concretização do programa anti-social, a frente sindical anunciou na manifestação um calendário de acções que tem início hoje, quinta-feira, 19, com uma jornada em defesa dos serviços públicos.

Segue-se, no dia 29, a «Grande Parada», promovida pelos movimentos cívicos Tout Autre Chose e Hart Boven Hard, com o apoio das centrais sindicais.

Entre 30 de Março e 3 de Abril decorre a semana de «resistência social», coincidindo com o debate no parlamento de novos cortes orçamentais, com manifestações nas várias regiões.

Para 22 de Abril, os sindicatos anunciam uma greve nacional nos serviços públicos.




Mais artigos de: Europa

Escola boa é pública

Milhares de estudantes saíram à rua, dia 12, em 30 cidades de Itália, em protesto contra a reforma educativa que o governo de Renzi apelidou de «La Buona Scuola» (a boa escola).

Islândia retira candidatura à UE

O governo islandês anunciou, dia 12, ter retirado a sua candidatura de adesão à União Europeia. A decisão foi comunicada por carta à Comissão Europeia e num encontro entre o ministro dos Negócios Estrangeiros islandês, Gunnar Bragi Sveinsson, e o seu...

TTIP um segredo bem guardado

Em resposta às exigências de transparência sobre as negociações do tratado de livre comércio com os EUA (TTIP), o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, e a comissária do Comércio, Cecilia Malmström, prometeram disponibilizar uma parte dos...

Assange ouvido em Londres

Ao fim de quatro anos refugiado em Londres, Julian Assange, fundador do Wikileaks, será finalmente ouvido pela Justiça sueca em solo britânico. O pedido da procuradora Marianne Ny foi feito, dia 13, aos advogados de Assange, que saudaram a decisão, esperando que o interrogatório...

30 mil contra reforma Wert

Mais de 30 mil estudantes pronunciaram-se contra a reforma universitária em Espanha, conhecida como «decreto 3+2», aprovado em 30 de Janeiro. No final de um referendo, promovido entre os dias 10 e 12 nas seis universidades públicas da Comunidade de Madrid, 97,61 por cento dos votantes...

A emenda 28...

Há dias, Alexis Tsipras, o primeiro-ministro grego, dizia algo assim: «o BCE ainda tem nas mãos a corda que temos ao pescoço». A afirmação tem um sentido mais imediato, relacionado com as condições de acesso a financiamento por parte...