Só palavras não chega
Delegações do PCP e do PS, dirigidas pelos respectivos secretários-gerais, estiveram reunidas anteontem, 6, a pedido deste último. À saída do encontro, em declarações aos jornalistas, Jerónimo de Sousa reafirmou a necessidade de uma verdadeira ruptura com a política de direita, distanciando-se de meras «declarações de intenção» e «silêncios comprometedores» face a questões tão determinantes como o Tratado Orçamental ou a renegociação da dívida.
A ausência de clarificação e os silêncios do PS sobre estas e outras questões são, para o dirigente comunista, um «primeiro obstáculo a qualquer entendimento», pois o PCP defende uma convergência baseada em conteúdos políticos claros. Reafirmando a disponibilidade do PCP para uma convergência entre forças políticas e sociais visando a ruptura com a política de direita, o Secretário-geral do Partido garantiu não ter encontrado no posicionamento do PS a resposta necessária e indispensável para assegurar essa mesma ruptura com os eixos estruturantes e essenciais da política que está a afundar o País, na qual o PS tem elevadas responsabilidades.
Jerónimo de Sousa foi peremptório ao garantir que o PCP não aceita uma política que, «mantendo o essencial dos condicionamentos actuais, proclame esta ou aquela medida parcial, porque a situação do País não se compadece com paliativos». Para além do Secretário-geral, compunham a delegação do PCP Jorge Cordeiro, do Secretariado e da Comissão Política, e os membros da Comissão Política Fernanda Mateus e João Oliveira. A delegação do PS integrava António Costa, Ferro Rodrigues e Porfírio Silva.