Acção de contactos com
os membros do Partido

Organizar para crescer

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Não haverá muitos outros concelhos no País onde a desindustrialização tenha sido mais acentuada e acelerada do que no Barreiro. Se nos anos 80 do século passado a Quimigal (antiga CUF) empregava largos milhares de operários, hoje as poucas empresas – privadas, todas elas – que restam no parque industrial dão trabalho quanto muito a parcas centenas. Dos ferroviários, que foram durante décadas uma poderosa camada profissional no Barreiro, resta hoje um pequeno grupo a laborar nas oficinas da EMEF, a mesma que o Governo prevê encerrar num prazo mais ou menos curto.

Como é evidente, estas transformações profundas no tecido produtivo barreirense tiveram grande repercussão na organização do Partido: a célula da Quimigal, onde chegaram a estar organizados 1500 militantes comunistas, já não existe – fruto da privatização, desmantelamento e desaparecimento da empresa. Quanto ao organismo dos ferroviários, está longe dos 300 militantes que em tempos organizou (nas oficinas da EMEF, aliás, já nem trabalham tantos operários).

Mas apesar de todas estas mudanças, o Barreiro é ainda hoje um concelho de forte implantação do Partido, mantendo-se em funcionamento células e organismos por empresa e local de trabalho ou por sector profissional: são os casos, entre outras, das células da autarquia, do Hospital e dos professores, do sector químico e dos organismos dos ferroviários e dos quadros técnicos e intelectuais. Mas é nas organizações locais que está agora a maioria dos militantes comunistas do Barreiro e é nelas que assenta parte considerável da intervenção do Partido e da sua influência junto dos trabalhadores e do povo.

Entre elas, assume particular importância a organização de freguesia do Alto do Seixalinho, que congrega cerca de um quarto do total de membros do Partido no concelho, muitos dos quais integraram no passado as grandes células operárias. Das principais organizações partidárias no Barreiro, é também ali que a acção de contacto com os membros do Partido está mais adiantada.

Organização e dedicação

 Virgolino Rodrigo, que responde no Executivo da Comissão Concelhia do Barreiro do PCP pela organização de freguesia do Alto do Seixalinho, contou ao Avante! que a concretização da acção de contactos assentou fundamentalmente na estruturação em seis bairros e zonas e nos militantes mais activos em cada um deles. A dedicação fez o resto: se os contactos foram sendo efectuados ao longo do ano, foi a seguir à Festa do Avante! que a acção teve um maior desenvolvimento, com a realização de brigadas todos os fins-de-semana e durante alguns dias de semana. A dimensão das equipas envolvidas e os resultados alcançados em cada um dos bairros ou zonas varia de acordo com a dinâmica da respectiva organização local.

Acompanhado, na conversa com o Avante!, pelos membros do Secretariado da Comissão de Freguesia Laurinda Gervásio, António Estrela e Gilberto Santos (cada um deles responsável por uma organização local), Virgolino Rodrigo aponta como resultado mais relevante desta acção a manifestação da disponibilidade, por alguns dos militantes contactados, em assumir tarefas partidárias, quer no Centro de Trabalho quer ao nível da cobrança de quotas.

Importante é, também, a recuperação de quotização há muito em atraso, a intenção – afirmada por um número considerável de membros do Partido – de aumentar o valor da quotização e ainda uma mais alargada difusão do Avante!. No que diz respeito à distribuição da imprensa do Partido, Laurinda Gervásio faz questão de sublinhar o empenho com que a organização de freguesia do Alto do Seixalinho leva a cabo esta tarefa, patente nas duas bancas de rua que assume semanalmente.

Dos contactos que faltam, Virgolino Rodrigo e António Estrela garantem tratar-se, na sua maioria, de pessoas que ou já não habitam na freguesia ou que, pela sua idade, se encontram em lares de terceira idade ou na casa de familiares. Ainda assim, garantem, tentarão chegar à conversa com todos eles – para que, dentro das capacidades e possibilidades de cada um, saia reforçada a organização e a intervenção do PCP no Barreiro, concelho cuja história e identidade são profundamente marcadas pela luta dos comunistas. 




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