Pantomineiros

Manuel Rodrigues

A hipocrisia tem limites, para quem tenha um resto de vergonha. Não é o caso do CDS que nos tem habituado a um verdadeiro jogo de máscaras para cada circunstância em que tenha que intervir.

Quem não se lembra de Paulo Portas a percorrer as feiras, de samarra e boné, para se arvorar em intrépido defensor dos feirantes?... Quem não se lembra também do seu característico populismo a prometer baixar impostos ou do seu súbito interesse por desvalidos e velhinhos a quem prometeu melhores reformas e apoios?... e quem não se lembra do seu «alinhamento de classe» com agricultores, pescadores e empresáros (pequenos, médios ou grandes, tanto faz, que também grande é o seu espírito corporativo)?...

Uma vez no governo, onde tem funcionado como apêndice do PSD ou do PS em suporte da política de direita, lá tira as máscaras e assume o seu alter ego, ou seja, a sua verdadeira natureza de classe. Aí, trabalha com desvelo ao serviço dos ricos e dos poderosos e manda às malvas as promessas que lhe granjearam os votos necessários. Foi assim com os impostos, com as pensões e também com os feriados. No Governo, aprovou o roubo de quatro feriados e, na Assembleia da República, votou contra o projecto de lei do PCP para a sua reposição. Mas, agora, que se aproximam eleições, lá volta ele com os feriados e jura, a pés juntos, que quer o seu retorno, a começar pelo 1.º de Dezembro. E, desta forma, volta a colocar a máscara do apego aos valores da soberania e independência nacionais, que, no Governo, todos os dias mutilou.

Um dia destes, voltará às feiras e mercados, de samarra e boné, a pedir outra vez o voto ao povo que tanto maltratou.

São mesmo assim estes pantomineiros da política de direita. Feiram as promessas à espera dos votos. E, quando obtêm os votos, esquecem o povo e voltam ao regaço do grande capital.

Assim tem sido ao longo dos últimos 38 anos. Mas chegará o momento em que o povo, cansado da mentira, se vai lembrar do provérbio: «cesteiro que faz um cesto, faz um cento, dando-lhe verga e dando-lhe tempo». E, nessa altura, não há pantomimas que lhes valham.




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